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Projeto de crowdfunding da ISGame vai ensinar idosos de instituição a criar games

A ISGame (Internacional School of Game), uma escola paulistana de desenvolvimento de jogos eletrônicos, está com um projeto de crowdfunding, para ensinar idosos apoiados por uma instituição de Carapicuiba a criar seus próprios games. A ideia surgiu após uma pesquisada da Universidade da Califórnia mostrar que games ajudam na prevenção do declínio cognitivo e na prevenção de doenças como o Alzheimer.

O curso será ministrado para pessoas com mais de 50 anos, mas para que a ideia saia do papel, a ISGame lançou um projeto de financiamento coletivo que tem por objetivo o ensino da programação de jogos para idosos atendidos pela Associação São Joaquim, um centro de convivência que atende mais de 300 idosos carentes, em Carapicuíba, na Grande São Paulo.

“Nós ensinamos os idosos a desenvolver os próprios games e isso gera um impacto enorme: além de dar protagonismo às pessoas mais velhas no processo criativo e de construção do conhecimento, a criação de games melhora a memória, promove o desenvolvimento do raciocínio lógico e o trabalho em equipe nas aulas presenciais, impulsionando a sociabilidade”, afirma Fábio Ota, fundador da ISGame e idealizador do projeto.

A vaquinha virtual está disponível na plafatorma Benfeitoria e tem por objetivo arrecadar ao menos R$ 25.752 até o dia 18 de janeiro. Com o valor, será possível oferecer gratuitamente o curso de 5 meses para 40 idosos da associação. Caso a meta seja superada, a ideia pode ser levada para outros centros de convivência. A contribuição mínima possível pelo site é de 10 reais. Se a ideia avançar, pode ser que vejamos um crescimento desta nova metodologia do tratamento do Alzheimer, além de oferecer atividades interessantes para os idosos.

Sobre a Associação São Joaquim 

Para quem não conhece, a Associação São Joaquim de Apoio à Maturidade é uma entidade sem fins lucrativos que presta serviços de convivência e fortalecimento de vínculos para pessoas idosas, na cidade de Carapicuíba-SP. Atua no atendimento de 300 beneficiários diretos e colabora com a garantia de direitos e com a melhora da qualidade de vida das pessoas idosas do município por meio de representação em conselhos paritários e empoderamento cidadão dos usuários.

Abaixo tem o vídeo explicando o projeto da ISGame:

Pesquisadores da Unifesp desenvolvem jogo para treinar controle inibitório

project-neumann

Quem diria que os videogames ganhariam mais uma utilidade que não fosse a de divertir? Sim, os games em breve serão utilizados para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). O plano está em fase de desenvolvimento graças a pesquisadores do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o departamento de Medicina Molecular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e com a Duke University, dos EUA, que estão criando um game cujo objetivo é justamente treinar o controle inibitório.

Quando o controle inibitório não está bem desenvolvido, muitos problemas podem acontecer, como abuso de substâncias, sexo sem proteção, brigas e acidentes”, disse Thiago Strahler Rivero, neuropsicólogo e autor de pesquisa de doutorado apoiada pela FAPESP e orientada por Orlando Francisco Amodeo Bueno, docente do Departamento de Psicobiologia da Unifesp.

A ideia é que o tratamento com videogames seja ministrado para adolescentes, pois, segundo Rivero, esta fase é marcada pela impulsividade naturalmente exarcebada e em que as estatísticas de envolvimento em situações de risco ligadas ao TDAH são mais alarmantes. “Fazer um adolescente aderir ao tratamento e mantê-lo motivado é uma de nossas maiores dificuldades na clínica. Por isso optamos pelo videogame”, diz Rivero.

O game foi batizado de Project Neumann e apresenta quatro fases, que representam reinos diferentes e estão relacionadas a diversos sintomas presentes na falta de autocontrole. Existem quatro heróis no game, cada qual baseado em alguma característica do TDAH e em teorias da Psicologia, Neuropsicologia e Neurociência.

Os quatro heróis coadjuvantes representam algumas das características mais prevalentes do transtorno: dificuldade de focar a atenção, dificuldade de controlar impulsos motores, dificuldade para ignorar distrações e dificuldade no controle do planejamento, que é a incapacidade de moldar as ações do presente pensando nas conseqüências futuras”, explicou o pesquisador.

De acordo com os profissionais envolvidos, o Project Neumann servirá não apenas para treinar essas capacidades dos jogadores, mas também para avaliá-las. Outro benefício do game para quem possui TDAH é que o game é cheio de informações sobre a doença, servindo para conscientizar os portadores de suas próprias dificuldades e estratégias para superá-las.

Para medir a eficácia do jogo, os desenvolvedores criaram um sistema gerador de gráficos e relatórios de desempenho no fim de cada fase que ajuda a acompanhar a evolução dos jogadores com o tratamento. De acordo com Rivero, já foram feitos três rodadas de testes com voluntários, onde foi possível coletar dados para comparar com escalas de avaliação padrão ouro para ver se há correlação e enfim efetuar a validação estatística.

O projeto é tão sério que há até planos de colocar os voluntários para jogar em um ambiente capaz de ressonância magnética. “Pretendemos fazer isso para ver se as regiões do cérebro que são estimuladas no exame são as que queremos estimular. Para isso, estamos firmando uma parceria com a University of Southern California, dos Estados Unidos”, contou. A equipe também envolve colaboradores da área de design e desenvolvimento de games.

De acordo com o site da agência FAPESP, os resultados preliminares foram apresentados em meados de junho durante o World Congresso n Brain, realizado na capital Paulista. Além disso, o projeto também foi levado até a E3, após o grupo conquistar a posição de número 3 na competição de jogos Indies Crash.

Para o futuro, Rivero contou que planeja utilizar o game para o tratamento de outras doenças como autismo, transtorno bipolar, entre outras doenças psiquiátricas. Vamos torcer para que o projeto vingue, afinal ele prova que games são mais que diversão. Será que a mídia que gosta de relacionar games com violência vai falar uma linha que seja do Project Neumann?

Projeto Lua: game universitário retrata o folclore brasileiro

Projeto Lua

Games que exploram o folclore brasileiro são raros e só por isso merecem atenção quando surgem, afinal de contas a gente sempre fica tão antenado no que sai lá fora que por vezes esquecemos que tem tantos games nacionais sendo lançados. Nossa indicação chama-se Projeto Lua, um game que surgiu como projeto de conclusão de curso de alguns alunos do Curso de Jogos Digitais da FMU, em São Paulo.

Projeto Lua ainda é um protótipo, ou seja, ainda não está com todo o seu potencial explorado, contudo vamos falar dele mesmo assim por causa de sua ambientação e o baita serviço que faz ao retratar um pouco do nosso folclore. O game tem uma trama fictícia, porém fortemente inspirada na literatura indianista de José de Alencar (O Guarani, Iracema e Ubirajara), além de elementos da cultura indígena.  Em outras palavras, uma maneira bem peculiar de aprender um pouco sobre os nativos do Brasil.

Na pele do índio Jaci, filho do Deus Lua, o jogador deve se aventurar em meio às florestas para desvendar os segredos que se ocultam por trás de sua tribo. Além disso, o herói precisa restaurar a paz em sua aldeia com a ajuda do medalhão sagrado, que está perdido. Para isso, Jaci contará com a ajuda dos amigos Iara e Pajé.

Entretanto a vida do índio não será das mais fáceis, pois terá de enfrentar a temida feiticeira Cuca que enfeitiçou diversos animais da floresta. Outro perigo é a influência maligna do espírito de Anhangá, que vive para semear a discórdia entre os habitantes da tribo de Jaci.

Nesta versão protótipo, a equipe de desenvolvimento esforçou-se para criar pequenas quests, entretanto essas pequenas missões representarão apenas partes de puzzles na versão final. O jogador terá de executar tarefas diversas durante a jornada, tais como coletar seiva de arvores para consertar uma canoa e depois descer corredeiras; descobrir o que está deixando os animais doentes etc.

De acordo com os desenvolvedores, a intenção com Projeto Lua era de criar uma ferramenta que pudesse contribuir para com a educação indígena em um ambiente escolar. Elementos para que isso ocorra existem aos montes, afinal o jogo consegue retratar histórias lendárias desses povos e apresentar artefatos e a cultura indígena das tribos da Amazônia.

Conforme informamos, Projeto Lua é um protótipo que merece atenção especial. Não espera um primor gráfico e nem nada muito elaborado, mas sim um game que tenciona cativar o jogador com seu enredo e folclore tão bem explorados. Quem quiser testar o game, basta ir até o site oficial, pois lá tem um link para download. Depois não se esqueça de mandar um recado para os desenvolvedores contando o que achou do game!