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Mesa Redonda na ALESP discute o PL 1577/2019 que deseja criminalizar jogos

Vocês se lembram que na semana passada o deputado do PSL, Júnior Bozella, apresentou o Projeto de Lei 1577/2019 que visa criminalizar jogos eletrônicos em todo o território nacional. Um projeto polêmico e claramente criado por alguém que não entende a indústria, o ramo dos jogos eletrônicos e sua importância na economia global. O PL é uma afronta aos jogadores brasileiros e um gesto oportunista de quem quer aparecer em momentos trágicos sem a menor base do que está falando.

Já que o deputado Bozzella provocou, eis que ele recebe sua merecida resposta: na próxima sexta-feira (12 de abril), o deputado estadual Tenente Coimbra, promove às 19hs uma mesa redonda Pró-Gaming na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), para discussão sobre a influência dos games na formação dos jovens. O encontro é uma oportunidade de mostrar aos políticos oportunistas que nossa comunidade é unida e tem voz.

O intuito da mesa redonda é dar espaço para quem vive o dia a dia dos Games e do E-Sports compartilhar seus relatos, vivências e experiências e, do outro lado, as pessoas que são a favor da criminalização exporem a sua visão e seus argumentos. O autor do PL 1577/2019, o deputado federal Júnior Bozzella (PSL), e o gamer e sócio da FURIA Esports, Cris Guedes, já estão confirmados no evento, que contará também com a presença de educadores, psicólogos e membros da sociedade civil.

Uma vez que o autor do polêmico projeto estará lá, é uma boa portunidade de fazê-lo nos ouvir. Leia-se que não é um encontro para esculachar o político e sua ideia bestial, mas sim dar um pouco de bom senso a ele. Deste modo, todos estão convidados a participar do debate. A presença da comunidade neste momento – em especial os gamers – é muito importante.

“É fundamental mostrar para a sociedade a realidade sobre o E-Sports. A minha finalidade é expandir o conhecimento sobre esse esporte e, mais do que isso, sobre o setor como um todo. Mostrar, através de numeros e fatos, que esse é um dos segmentos que mais cresce não só no Brasil, mas no mundo”, afirma o deputado estadual Tenente Coimbra, fã declarado dos games.

SERVIÇO: Mesa Redonda PRÓ-GAMING – DISCUSSÃO PL 1577/2019

 

Data e horário: Sexta-feira, 12 de abril de 2019, às 19 horas

Local: Assembleia Legislativa de São Paulo – Plenário Dom Pedro I – 1º andar

Avenida Pedro Álvares Cabral, 201, 04094-050 – São Paulo

Evento no Facebook: https://www.facebook.com/events/2280712435283795

Games devem ficar de fora do Vale Cultura? Qual sua opinião?

Vale Cultura

Todos sabem que os videogames são uma forma pura de cultura, pois transmitem mensagens e valores tão profundos quanto qualquer livro conceituado ou música celebrada. Entretanto nem todos conseguem ver os videogames com os mesmos olhos.

No dia 19 de fevereiro de 2013 a Ministra da Cultura Marta Suplicy realizou uma audiência na Assembléia Legislativa de São Paulo para falar sobre o Vale Cultura, um projeto dedicado a disseminar as diferentes formas de cultura entre a população. A ideia básica é que pessoas que dispõe de até dois salários mínimos possam contar com pequeno recurso mensal disponibilizado pelo governo para desfrutar de cultura. O projeto ainda está em estágio inicial e, portanto, carece de formatação.

Devido a isso, a equipe da Ministra abriu sua agenda para ouvir as pessoas a fim de coletar opiniões e sugestões para incluir no projeto. Um dos participantes foi o Francisco Tupy, pesquisador e designer de games, que estava representando os jogadores do Brasil que naturalmente gostariam de saber a opinião da Ministra sobre a inclusão de entretenimento digital no projeto. Ao ser questionada sobre a inclusão dos videogames no Vale Cultura a ministra mostrou-se, de fato, uma política, conforme transcrição da matéria do site Geek, escrita por Kao Tokio:

 Francisco Tupy – “O que o ecossistema que trabalha com jogos digitais, pesquisadores, desenvolvedores, professores etc. pode esperar do Vale Cultura?”

Marta Suplicy – “No caso dos jogos digitais, o assunto ainda não foi aprofundado o suficiente, mas eu acho que eu seria contra. Eu não acho que jogos digitais sejam cultura […] Mas a portaria é flexível. Na hora em que vocês conseguirem apresentar alguma coisa que seja considerada arte ou cultura, eu acho que pode ser revisto. No momento o que eu vejo é outro tipo de jogo.

Encaminhem para o ministério as sugestões que vocês estão fazendo. Eu tenho certeza que talvez vocês consigam fazer alguma coisa cultural. Mas, por enquanto, o que nós temos acesso, não credencia o jogo como cultura. O que tem hoje na praça, que a gente conhece (eu posso também não conhecer tanto!) não é cultura; é entretenimento, pode desenvolver raciocínio, pode deixar a criança quieta, pode trazer lazer para o adulto, mas cultura não é! Boa vontade não existe, então, vocês vão ter que apresentar alguma coisa muito boa”.

O interessante é que com tantas pesquisas sérias sobre os videogames e com uma equipe tão estudada, a ex-prefeita de São Paulo ainda vê os videogames com uma visão tão retrógrada. Aparentemente os organizadores acreditam que pelo fato dos games ser primordialmente dominada por obras não produzidos no Brasil, eles não agregam valor de cultura brasileira, ignorando o fato de que atualmente existem vários estúdios brasileiros criando games com temáticas e folclore brasileiro.

Apesar do negativismo em relação à inclusão dos games no Projeto Vale Cultura, ainda existem chances de que a situação se modifique durantes as próximas semanas. Mas as expectativas não são das melhores.

Mas diga, qual sua opinião sobre a declaração da Ministra sobre o Vale Cultura?