Arquivo da tag: crítica

Miner Ultra Adventures – desenvolvedor teria xingado jogador que fez críticas negativas

Desenvolver um game do zero não é tarefa fácil, principalmente se você desenvolveu tudo sozinho. Receber críticas faz parte do trabalho e acontece muito, mas não é e jamais foi agradável. O caso do game indie brasileiro Miner Ultra Adventures chamou as atenções da internet na última semana e o motivo foi que supostamente o desenvolvedor teria perdido as estribeiras e xingado duramente um jogador que deu nota baixa para seu game na Steam.

ss_61d2256f9da3f6848e57bcec32f0d60f0281cf43-600x338Miner Ultra Adventures é um game de plataforma 3D inspirado em clássicos da geração 32-64 bits como Super Mario 64, Gex, Crash Bandicoot, Conker’s Bad Fur Day. Um dos pontos chaves do game é que ele não possui conteúdo adulto ou violência, além de um mundo vasto e colorido para ser explorado. Por mais que o desenvolvedor se esforce, sempre fica algum ponto negativo e foram esses deslizes que o usuário Filthy Prank apontou ao fazer sua crítica.

ss_af290f82309243229bcb7f52955697fae1d9bb85-600x338Surpreendentemente, o perfil do criador do game (Dennys Ferreira, da Manic Mind Game Lab) passou a insultar o jogador, utilizando até mesmo palavras de baixo calão (imagens abaixo). A situação saiu do controle quando outros jogadores ficaram sabendo do acontecido e começaram a dar mais notas negativas, como forma de “dar uma lição” no suposto desenvolvedor esquentadinho. O resultado foi que a nota do game baixou muito, beirando a nota 4. Nesse ínterim, algumas notas positivas começaram a surgir, sugerindo que o desenvolvedor teria distribuído Keys para melhorar sua nota.

17155542_413908558957855_4129101620480508899_n

miner_steam

 

A versão do desenvolvedor

Após muitas discussões e teorias do que teria acontecido, o site Drops de Jogos entrou em contato com o desenvolvedor de Miner Ultra Adventures a fim de ouvir os motivos que o levaram a tal destempero. De acordo com Dennys, tudo não passou de uma vingança de uma ex-namorada que teria entrado em sua conta da loja virtual e iniciado o atrito com os usuários apenas para lhe criar problemas.

“Vários haters estão me julgando, ao invés de dar força para os devs”, explicou Dennys Ferreira, em entrevista ao Drops de Jogos. “Manter relacionamento com a pessoa errada dá nisso”, enfatizou, em referência à atitude da ex-companheira. “Eu nunca ia entrar em treta com comprador de jogo. Se o cara não gostou e fez um review negativo, tudo bem, eu só quero fazer jogo”, declarou.

ss_abff536a23e84353f6587c5f8523c5573727af6e-600x338A situação teria chego a tal ponto que as pessoas compram o game, fazem o review negativo e em seguida pedem o reembolso, fato que apenas prejudica a reputação do estúdio desenvolvedor. Dennys teria até pensado em tirar o game do ar para acabar com este ciclo. Sobre as notas positivas que surgiram, o desenvolvedor admite ter enviado Keys para a Rússia a fim de melhorar a avaliação geral. Mas é claro que o estrago já estava feito: a fama do game se deu não por suas qualidades ou defeitos. Miner Ultra Adventures é conhecido como “aquele game feito pelo desenvolvedor que xinga seus jogadores”.

ss_49aec8aa60bb27135af162f49e484edcb5f1979fEsta não é a primeira vez que a Steam é palco de uma polêmica: meses atrás a produtora Digital Homicide processou youtubers e jogadores que deram notas negativas aos seus jogos. Resultado? A empresa foi expulsa da Steam. Sobre o caso de Miner Ultra Adventures, infelizmente não conseguimos contato com a suposta ex-namorada vingativa. O que podemos tirar dessa história toda é que, se você é desenvolvedor de games deve estar preparado para críticas, pois elas virão.

Abaixo tem um vídeo de Miner Ultra Adventures:

 

Toren é um jogo que vale a pena ser jogado?

Por Victor Cândido

Foram quatro anos em desenvolvimento! Após toda essa espera, Toren finalmente chegou ao mercado para PC e PS4. Valeu a pena? Em resumo: o jogo do estúdio Swordtales possui grades acertos, mas comete alguns erros que não justificam a longevidade da produção.

Os maiores destaques de Toren é a narrativa e o visual que elevam o jogo para um status “cult”. Diferente de muitos jogos AAA, Toren esbanja um visual diferenciado com um cenário artisticamente bem trabalhado, vivo e bonito com muitos efeitos visuais e elementos do cenário se movendo o tempo todo como a vegetação, os pássaros etc. Os poucos personagens do game também são muito bem desenhados. Neste aspecto Toren é um prato cheio para os olhos.

Toren conta a historia da “Criança da Lua”, cujo objetivo é subir a torre (que dá nome ao jogo), a fim de salvar a humanidade de seu fim certo. A garota é guiada por uma espécie de entidade espiritual chamada “Mago”, que também acaba proporcionando muitos momentos filosóficos e poéticos ao jogador. Naturalmente esses momentos filosóficos foram influenciados pelas obras de Fumito Ueda (Ico é a mais clara).

A historia é contada de maneira não linear, de modo que ela passa por diversas fases da vida da criança, começando como um bebe até a sua fase adulta, com muitas nuances envolvendo flashbacks e sonhos deveras confusos. Mesmo assim, a narrativa não deixa de ser interessante, pois tudo é poetizado com textos escritos de maneira enigmática e com diversos significados. As animações do jogo também são belas. O destaque vai para a cena que mostra o nascimento da Árvore da Vida no início do jogo, a cena é uma das mais bonitas do jogo.

Na parte sonora o jogo possui um acervo que se encaixa bem com as animações tristes e para as cenas mais animadas. Entretanto, há momentos em que simplesmente há falta de sonoplastia no jogo. Há alguns momentos, por exemplo, em que você golpeia um inimigo e ouve-se o som da espada acertando o oponente, mas inexplicavelmente há momentos em que você bate nas criaturas e nenhum som é emitido.

Toren possui um visual bonito, mas cai na armadilha de muitos jogos atuais: foram quatro anos de desenvolvimento e ainda assim é notória a falta de polimento final. Existem bugs preocupantes em Toren, como no caso em que após uma derrota a personagem estava flutuando no cenário ao invés de retomar a aventura. Outro bug ocorrido (muito irritante, por sinal) foi durante uma das batalhas contra o dragão: o jogo entende que você foi alvejado e perdeu a vida, mas na realidade a personagem sequer havia sido atingida pela rajada da criatura. Além desses, há outros erros bisonhos que senão atrapalham a jogatina, servem para tirar a paciência do jogador.

A jogabilidade do game é muito simples, ela consiste em utilizar a espada para lutar contra inimigos e resolver alguns puzzles, até aí é uma fórmula que muitos outros jogos seguem. O problema é que Toren se atrapalha com a sua própria física: o combate corpo a corpo é pouco trabalhado e na maioria das vezes você bate no vazio, pois a movimentação da personagem não ajuda em nada. O problema é multiplicado devido à bugs de colisão. Outro problema é a falta de desafio: você termina Toren com um pouco menos de 2 horas e, acredite, termina-lo não é nem um pouco difícil. Os puzzles possuem objetivos diferenciados, mas podem ser descritos como simplistas: em geral você empurra objetos como plataformas e contorna símbolos no chão com um pó místico durante as passagens nos sonhos.

Ao final a pergunta é: Toren é um jogo que vale a pena ser jogado?

O objetivo de se tornar um jogo fora do normal, com um estilo gráfico bonito e uma história fantástica demonstram o potencial da Swordtales e sem dúvidas são os pontos fortes do jogo. Contudo se você é desses que joga algo esperando perfeição saiba que a experiência de Toren peca pela falta de polimento, além disso, é normal encontrar bugs aqui e acolá. Infelizmente o excesso de problemas tira o brilho de Toren já que o seu visual é um dos principais pontos fortes.

Pode-se traçar uma comparação com o recente Assasin’s Creed Unity, da Ubisoft, pois ambos são jogos que de tão carregados de bugs tornam-se irritantes em movimento, mas perfeitos quando parados. Outro ponto a mencionar é a duração do jogo: duas horas de jogo não é necessariamente um defeito se a experiência for satisfatória, algo que não acontece em Toren. A aventura em seu geral é rasa. Ela tenta ser épica, mas tropeça em seus quesitos técnicos. Se você quer sentir como a indústria de jogos brasileiros está evoluindo, vale a pena e por isso vale a aquisição. Mas se você é do tipo mais exigente, é triste dizer que Toren não é seu jogo.

Pontos fortes: as influencias de Fumito Ueda funcionam.

Ponto fraco: a aparente falta de polimento final comprometem os quatro anos de produção.

Toren

PUC-SP oferece cursos de extensão para profissionais da área de games

A PUC-SP é uma das instituições de ensino que mais está atenta ao mercado de videogames no Brasil. A instituição conta com nada menos que quatro cursos de extensão para quem quer atuar no mercado. Os cursos não são destinados apenas a desenvolvedores, mas também para profissionais de outras diretrizes como jornalistas e até roteiristas, sendo eles os cursos de Narrativas e Roteiro de Games para Dispositivos Móveis, Desenvolvimento Mobile para Windows Phone, Desenvolvimento de Games com Unity 3D, Crítica de Videogames.

Estes cursos têm como objetivo capacitar alunos e profissionais do mercado a entender melhor o funcionamento das plataformas e sistemas mais utilizados no momento e entender melhor como funciona os jogos eletrônicos e o mercado atual. Os cursos são ministrados por professores capacitados e conhecidos como o Dr. Fábio Fernandes da Silva, Bréndal Teixeira Mendonça, Reinaldo Ramos e a jornalista Flávia Gasi.

O curso de Narrativas e Roteiro de Games para Dispositivos Móveis é ministrado pelo professor Fábio Fernandes e propõe desenvolver técnicas de narrativas e a criação de roteiros para games que possam se integrar no ambiente das redes sociais digitais. O curso é altamente indicado para alunos formados em Tecnologias e Midias Digitais, Sistemas de Informação, Jogos Digitais, Comunicação e Multimeios e Ciência da Computação. O curso tem duração de seis meses e aborda aspectos teóricos, prática de criação e softwares de roteiro.

Já o curso de Desenvolvimento Mobile para Windows Phone explora o mercado mobile, contribuindo com conhecimento teórico e prático para desenvolvedores de outras plataformas que desejam conhecer o passo a passo de como colocar seu jogo no ambiente Windows Phone. O curso é ministrado por Bréndal Teixeira e é certeiro para quem já desenvolve para iOS e Android e precisa de dicas desde o processo inicial de um game até os caminhos de como colocar o produto no ar. No Brasil é muito difícil encontrar desenvolvedores de games para outras plataformas que não sejam mobile, seja pelos custos de produção até pela possibilidade de lucro aviltante, então para quem quer uma fatia do mercado é bom colocar seu game em todos os lugares possíveis.

O curso de Crítica de Videogames é ministrado pela jornalista Flávia Gasi e explora a importância da crítica de videogames e como ela deve ser conduzida, levando em consideração aspectos técnicos do game, como arte, som, roteiro, etc. O curso é indicado para jornalistas, desenvolvedores, redatores e público em geral que deseja saber um pouco mais de como deve ser o trabalho de um crítico de games e o papel que os veículos desempenham ao avaliar os games que chegam ao mercado. O curso conta com três meses de duração e lá se cria um ambiente descontraído que serve para discutir os jogos eletrônicos e o que torna alguns games bons e outros nem tanto.

Por fim, temos o curso de Desenvolvimento de Games com Unity 3D é ministrado por Reinaldo Ramos, sócio da QUByte Interactive . Este curso é mais técnico e aborda técnicas e embasamento teórico para que se compreenda e atue na produção e criação de jogos eletrônicos a partir da engine Unity, uma das mais populares na produção de jogos indie atualmente. O curso tem cinco meses de duração e capacita os alunos a atuarem na produção e construção de games que possam se integrar no ambiente de distribuição digital, tendo conhecimento do uso das redes sociais e ferramentas que possam tornar o game mais atrativo. Este curso de extensão é importante para graduados e graduandos em Tecnologias e Mídias Digitais, Sistemas de Informação, Jogos Digitais, Comunicação e Multimeios e Ciência da Computação.

Estes são quatro cursos, mas além deles, a PUC-SP possui outros módulos interessantes como os cursos de Introdução ao Desenvolvimento de Jogos, Games com HTML e Javascript, entre outros que não necessariamente tem relação com jogos eletrônicos.