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NÃO é Cilada, Bicho. Vem ver o Zueirama, o game mais zueiro do Brasil

Existem jogos raiz e jogos nutella. O jogo de hoje é o Zueirama, um game completamente raiz, sem sombra de dúvidas. Afinal ele é daqueles tipos que é impossível pegar ranço. Veja bem, primeiramente, fora Temer. Segundamente, ele é brazuka, é indie e é todo inspirado no esporte mais popular das terras brazilis (e não, não é o futebol), é a zueira, mermão!

Criado por três amigos (que precisam ser estudados), o Zueirama faz exatamente isso que você viu no primeiro parágrafo, ou seja, uma ode a todos os memes que você e seus amigos vivem compartilhando nas redes sociais. Ele é todo inspirado nos jogos de sucesso dos anos 90 e no povo brasileiro, fazendo uso do bom humor e de muitas referências.

Em seu cerne, Zueirama trata-se de um platformer com progressão lateral, porém ao invés de só passar as fases, você deve completar missões que envolvem trollar personagens pelo caminho. Tudo para arrancar boas risadas dos jogadores. Afinal (já dizia o poeta) “a zueira não tem limites”. A versão final vai contar ainda com perseguições, conduzir um disco voador e até entregar pizzas.

Tem até um breve roteiro para justificar tanta trollagem: o Sargento Sádipo está acabando com o bom humor das pessoas, de tal modo que elas estão se dividindo entre coxinhas e mortadelas. Para frustrar os planos do sórdido Sádipo, entra em ação a “dupla de dois” composta por Zoinho, um motoboy preguiçoso e o Tião, um exímio domador de onças.

Você deve estar se perguntando por que um motoboy e um domador de onças? Bem, eu não sei, bicho, mas os produtores disseram que se juntos eles já causam, imagina juntos. Afinal estamos falando de belos exemplares da espécie “huehue brbr”. Ao longo da aventura você vai se deparar com inimigos bem característicos do Brasil, como um maromba (birl), coxinhas, corotinhos e mortadelas. Mas não se preocupe: você pode usar sua vuvuzela atômica para acabar com eles.

A jogabilidade lembra os clássicos 16 bits como Super Mario, Sonic, Bubsy, entre outros. A animação, aliás, merece destaque especial, pois os desenvolvedores conseguiram unir o melhor da pixel art com uma jogabilidade fluída e gráficos bem coloridos. A intenção é que qualquer um possa curtir o jogo. E não pode ficar de mimimi.

 Zueirama está em campanha no Catarse e precisa de apoio da comunidade para ser lançado com todo o conteúdo idealizado pelos produtores. Não adianta dizer que nunca nem viu ou ouviu falar desse jogo! Se você está aqui, não tem como desver. Há uma versão demo disponível no itch.io. Os produtores esperam que você fique zero dias sem parar de jogar.

Abaixo você vê o trailer de Zueirama:

Massive Work Studio divulga mais detalhes do impressionante jogo Dolmen

Foram apenas duas semanas para acabar o período de financiamento coletivo de DOLMEN, o jogo Indie brasileiro inspirado na franquia Dark Souls e que promete qualidade em.níveis altíssimos. A equipe da Massive Work Studio decidiu envolver ainda mais a comunidade neste período tão importante do jogo  mostrando um pouco mais dos bastidores de seu horripilante RPG de ação.

O vídeo abaixo apresenta a enorme e misteriosa espaçonave Zoan, o veículo que será tão essencial durante a jornada do protagonista. A nave Zoan é onde a jornada começa. Ela contém algumas das tecnologias mais avançadas da humanidade e funciona como uma pequena porção de normalidade no mundo de DOLMEN – atuando como uma jangada proverbial para o jogador que enfrenta o planeta, até então inóspito, de Revion Prime.

Além de uma sala de comando e estação de trabalho totalmente equipada para construir e modificar armas e armaduras, a nave também conta com uma cozinha. Zoan também atua como o maior inventário do protagonista, significando que os recursos obtidos no mundo exterior que não forem armazenados lá podem ser perdidos para sempre.

A nave Zoan e o protagonista são apenas alguns dos aspectos cuidadosamente construídos do jogo que fazem de DOLMEN absurdamente detalhado e fascinante.

Veja o vídeo DOLMEN: The Main Character e The Zoan Ship abaixo:

Jogo brasileiro Sword of Yohh estará presente na Game Developers Conference (GDC) 2018

Hoje vamos falar de um jogo independente criado pelo estúdio UNDEVS, de São Paulo. Trata-se de Sword of Yohh, um game de combate multiplayer 2D com inspiração no gênero tower defense. Aqui o objetivo é destruir o totem do jogador adversário antes que ele destrua o seu próprio totem. Mas não pense que a terafa será fácil: os adversários (assim como você) podem usar armas poderosas e até manipular o cenário para ganhar vantagem no combate.

As batalhas acontecem num campo de batalha bastante ritualístico de um templo abandonado. Os totens apenas podem ser destruídos pelas poderosas Espadas de Yohh. A jogabilidade lembra uma partida de handball, com a diferença que ao invés de uma bola, vocês usam a mítica espada de Yohh. Quem estiver com a espada pode destruir o totem do adversário.

A jogabilidade é simples, porém bem fundamentada, de tal modo que há suporte para até quatro jogadores em simultâneo. Você pode escolher entre 7 personagens e o vencedor é definido por quem acertar a enorme espada no totem inimigo três vezes. Os visuais são um dos pontos mais bem avaliados da obra, graças ao design em preto e branco e as construções cheias de detalhes.

A impressão foi tão boa que Sword of Yohh é um dos destaques da Game Developers Conference 2018, nos EUA. O jogo foi vencedor da EPIC Game Jam Brasil e premiado no Rock in Rio 2017. A UNDEVS marcará ainda presença no estande da IDJ Games, na GDC Play, exposição de jogos independentes que acontece dentro da GDC. De acordo com os desenvolvedores, Sword of Yohh é apenas o primeiro game da IP Children of Yohh, que nasceu durante a Epic Game Jam, em São Paulo. A previsão de lançamento é para o final deste ano.

Abaixo tem o trailer de Sword of Yohh:

 

Kinship viaja aos Estados Unidos para participar da Game Developers Conference e Game Connection America

A Game Developers Conference e a Game Connection América são dois dos eventos mais importantes no calendário dos desenvolvedores de jogos eletrônicos. E não é por menos: tanto a GCA como a GDC contam com a participação das principais empresas desenvolvedoras de games do mundo e são reconhecidas pela indústria como excelentes oportunidades para ampliar a rede de contatos, alinhavar ou fechar parcerias e adquirir conhecimento. A desenvolvedora brasileira Kinship decidiu levar uma comitiva até os dois eventos a fim de levar seus projetos e quem sabe fazer negócios importantes. A GCA acontece de 19 a 21 de março, e a GDC ocorre de 19 a 23 de março.

Enquanto a GDC é destinada ao desenvolvimento dos profissionais do setor e oferece espaços para exposições e debates, a GCA é totalmente voltada para business. Tanto a GCA como a GDC contam com a participação das principais empresas desenvolvedoras de games do mundo e são reconhecidas pela indústria como excelentes oportunidades para ampliar a rede de contatos, alinhavar ou fechar parcerias e adquirir conhecimento. Enquanto a GDC é destinada ao desenvolvimento dos profissionais do setor e oferece espaços para exposições e debates, a GCA é totalmente voltada para business.

“É a primeira vez que a Kinship participará da GCA e da GDC e nosso foco estará totalmente em Skydome, game para PC de action tower defense e que deve ser lançado ainda este ano. Será uma grande oportunidade de aprendizado para a equipe da Kinship e esperamos não só ampliar a visibilidade sobre o estúdio, mas também fazer muitos novos contatos e negócios”, disse Cheny Schmeling, diretor criativo da Kinship.

O game a ser apresentado pela Kinship é Skydome, um tower defense que coloca dois times para lutar em arenas e invocam ondas crescentes de personagens para conquistar o artefato adversário. Em paralelo, os times precisam defender seu próprio artefato dos avanços hostis das criaturas inimigas.

Cada jogador escolhe um campeão do Skydome entre vários disponíveis, sendo que cada um tem seu próprio estilo de jogo e um conjunto diferente de habilidades, como as poderosas e inovadoras intervenções, que podem ser lançadas diretamente na arena adversária. Uma intervenção bem utilizada, além de deixar as partidas mais interessantes e imprevisíveis, pode modificar completamente o resultado do confronto. Mais informações no site do desenvolvedor.

Abaixo tem um trailer de Skydome, o jogo desenvolvido pela Kinship:

Aquiris Game Studio anuncia Horizon Chase Turbo para PS4 e PCs

Após o grande sucesso de Horizon Chase World Tour para dispositivos mobile, chegou a vez do PlayStation 4 e do PC receberem a mesma experiência de corrida arcade com o lançamento de Horizon Chase Turbo. O game da Aquiris chega para essas plataformas no segundo trimestre de 2018 prometendo corridas alucinantes e visuais retro bastante característicos.

Quem jogou os clássicos de corrida da geração 16 bits vai se sentir familiarizado com a proposta de Horizon Chase Turbo, afinal o título é uma verdadeira ode ao gênero, não apenas pelos visuais, mas também pela trilha sonora composta por Barry Leitch, o mesmo que assina as composições de Top Gear.

“Estamos trabalhando em todos os detalhes para Horizon Chase Turbo entregar a diversão e competitividade dos clássicos Top Gear e Out Run, ao mesmo tempo que apresenta sua personalidade própria. Está emocionante e lindo jogar em tela dividida para quatro jogadores e com resolução de 4K. É um jogo pra juntar os amigos em tardes memoráveis de videogame em casa”, diz Sandro Manfredini, Diretor de Negócios da Aquiris.

Além de dezenas de pistas e veículos, Horizon Chase Turbo oferece um modo multiplayer local que permite aos amigos correr lado a lado em uma campanha cooperativa, torneios competitivos ou desafios em corridas randômicos pelo planeta.

Há ainda modos online para quem quer jogar com amigos que moram longe, como o “Ghost Mode”, modo em que o jogador pode desafiar tempos dos amigos, que são representados na pista com um “carro fantasma”. Os melhores tempos podem ser vistos em um ranking online.

De acordo com a Aquiris, os circuitos são bem variados e recriam paisagens de diversos países, sendo que cada uma traz elementos novos na jogabilidade devido as condições climáticas e seus terrenos.

Horizon Chase Turbo  é o sucessor espiritual de Horizon Chase World Tour, que foi lançado para Android e iOS e foi baixado mais de dez milhões de vezes. O título chega para atender os pedidos dos jogadores que almejavam uma experiência de corrida voltada para o retro, lembrando jogos como .Lotus Turbo Challenge 2, Rush” e Top Gear.

“Horizon Chase World Tour foi a confirmação de que o mundo queria um jogo assim. O título foi celebrado pelos jogadores, pelas plataformas App Store e Google Play, e pela imprensa. Dentre todos os prêmios que o jogo conquistou, gostamos de destacar que Horizon Chase ficou entre os 30 Melhores Jogos do Mundo de 2015, de todas as plataformas, pela pontuação do Metacritic. Agora, com todas as características da versão Turbo, temos a certeza de que vamos entregar a experiência completa de jogabilidade e competitividade que os jogadores nos pediram, completa Sandro.

Com lançamento previsto para o segundo trimestre de 2018,  o game estará disponível digitalmente através da PSN Store, no PlayStation 4, e no Steam, no PC. Abaixo tem o trailer de Horizon Chase Turbo:

 

Grandes Estúdios Brasileiros de Games #03: Cat Nigiri

Em 2017 um estúdio de Florianópolis, SC, conquistou bastante projeção nacional após o sucesso de dois jogos (Keen e Necrosphere). A Cat Nigiri recebeu nomeações importantes em eventos de grande porte como a SBGames São Paulo, SBGames Porto Alegre e o BIG Festival.

O mérito foi criar jogos divertidos, porém diferenciados em suas estéticas e objetivos. Formado em 2012, a Cat Nigiri tem por objetivo unir mecânicas simples com gameplay inovadores, e deu certo! Hoje vamos ver um pouco da visão desses talentosos desenvolvedores que já são reconhecidos como um dos principais do Brasil.

 

Qual o significado do nome Cat Nigiri?

Temos duas versões.

A primeira é sobre um nome aleatório que soasse “indie o suficiente” para um grupo de amigos que precisavam de um nome para o estúdio.

A outra –– que contamos para investidores –– é sobre um gato que é ágil, esperto, pequeno e muito fofo, assim como o nosso time. Além disso, o nigiri é uma comida simples (fatia de peixe, bolinho de arroz e raiz forte) que requer muita habilidade para fazer.

Só escolher a versão que você prefere.

 

O que levou vocês a essa vida de videogames?

Paixão, persistência e muito entusiasmo. Um pouco de inocência, também.

 

É difícil desenvolver games fora do eixo Rio-São Paulo?

Não. É bem tranquilo. Está cheio de cariocas e paulistas por aqui em Floripa, de qualquer forma.

 

Se vocês tivessem dinheiro infinito para contratar qualquer produtor de games do mundo, quem seria? Por quê?

Nenhum destes famosos. Gostamos de fazer os jogos do nosso jeito.

 

Afinal de contas, a quantas anda o mercado de jogos no Brasil? É uma época boa para investir no mercado/carreira? Ou é melhor vender açaí mesmo?

Ocorreram algumas coisas muito interessantes neste último ano:

Incentivos governamentais como Ancine e Finep que dão credibilidade para a nossa indústria de desenvolvimento de jogos.

Baixa dos juros que vai fazer muita gente tirar o dinheiro dos bancos e realmente investir em algo produtivo.

Leis específicas para promover o investimento-anjo em pequenas empresas.

Mudanças nas leis que facilitam a contratação de profissionais.

Montar uma barraca para vender açaí pode ser um bom investimento, também. Parecer ser uma hora boa para empreender.

 

Muitos dos seus jogos seguem um estilo de arte mais cartoon, já tentaram fazer algo puxado para o realismo?

Ainda não. Realismo é bem mais custoso. O nosso foco é sempre o gameplay.

 

Tanto o Keen quanto o Necrosphere receberam nomeações para o BIG Festival e outros eventos. Vocês ficaram surpresos com o sucesso de crítica e público?

Ficamos surpresos e agradecidos. Infelizmente, troféu não compra pão. Tivemos aclamação tanto aqui como lá fora, porém as vendas de Necrosphere para PC ainda não chegaram onde esperávamos.

 

O Necrosphere é bem difícil (mesmo). Qual foi a maior inspiração para o projeto?

O ódio dentro do coração do Caio, junto com Metroid, VVVVVV e um pouco de Twin Peaks.

 

O que é mais importante para um game: gráficos ou jogabilidade?

Somos desenvolvedores de jogos, portanto o mais importante é jogabilidade. Se fossemos desenvolvedores de gráficos, talvez fosse o contrário.

 

Qual o jogo mais surpreendente que vocês já jogaram?

O último que o time comentou bastante foi Super Mario Odissey e Doki Doki Literature Club.

 

É muito difícil manter um estúdio de games aberto por tantos anos no Brasil?

Fase mais longa e difícil que já tivemos em nossas vidas.

 

Vocês possuem carreiras paralelas ou já é possível sobreviver apenas com os games?

Já tivemos diversos day jobs para pagar as contas do estúdio, hoje, felizmente, com investidores interessados, podemos sobreviver 1 ano de desenvolvimento. Para os próximos anos, precisamos emplacar um jogo lucrativo.

Quanto tempo leva o processo de criação de um game, mesmo que este possua mecânicas simples?

Depende do jogo. Game jams normalmente levam 2 dias. Necrosphere para PC foi feito em 10 meses. Keen 3 anos.

 

Muita gente acredita que os jogos japoneses não possuem a mesma força de outrora. Vocês jogam títulos orientais? Alguma coisa que ninguém conhece e merece destaque?

Mentiras. Só ver Legend of Zelda Breath of the Wild e Super Mario Odissey.

 

Qual o segredo para o produtor iniciante conquistar um espaço em meio aos milhares de games que surgem todos os dias na Google Play?

Esta é uma pergunta que adoraríamos ter a resposta. Nossa palpite é fazer jogos realmente engajantes e com qualidade.

 

Qual a formação necessária para conquistar aquele emprego dos sonhos em um estúdio de renome no Brasil?

Nenhuma em específico. O principal é ter lançado jogos.

 

Alguma dica para quem não consegue terminar o Necrosphere?

Tente novamente!

 

 

Agradecimentos o Nando Guimarães, CEO da Cat Nigiri, que atendeu prontamente nossa equipe!

Grandes Estúdios Brasileiros de Games #01: Rockhead Games

Sabe aquelas propriedades intelectuais vindas dos games que deram o grande salto? Aquelas que viraram filmes, animações, brinquedos, camisetas, lancheiras etc? Pois é esse o foco da Rockhead Games, um estúdio relativamente jovem do Rio Grande do Sul, mas que já dá mostras de estar no caminho certo: são eles os responsáveis pelo megassucesso Starlit Adventures, jogo mobile com mais de 10 milhões de downloads.

Tanto a Apple quanto o Google deram destaque várias vezes desde o primeiro lançamento de Starlit Adventures em 2015, em todos os continentes. O universo de Starlit Adventures agora está se expandindo em novos jogos e transmídia, incluindo uma série animada para TV, quadrinhos e brinquedos. Vale mencionar que a Rockhead Games nasceu das mentes por trás da Southlogic Studios (Deer Hunter, Guim etc). Após a compra do estúdio pela Ubisoft, os desenvolvedores decidiram recomeçar do zero em 2010 e daí surgia um dos estúdios brasileiros mais importantes da atualidade.

Atualmente a Rockhead Games está preparando o lançamento de Starlit Archery Club, um spin off de Starlit Adventure inspirado em Bust-A-Move, da geração 16 bits. Ainda assim, o Rodrigo “Chips” Scharnberg, produtor assistente, reservou um tempo para responder algumas perguntas. Confira!

 

Como surgiu a ideia de desenvolver games?

A Rockhead foi fundada por dois desenvolvedores que iniciaram as suas carreiras em 1996 criando um jogo para PC chamado Guimo. Naquela época existiam pouquíssimos profissionais fazendo games aqui no Brasil. A ideia de mergulhar de cabeça veio da paixão em jogar games e também do hobby de fazer games por diversão.

 

Quantas pessoas trabalham na Rockhead Games? Onde vocês estão localizados?

Somos 12 colaboradores internamente e temos outras equipes externas que nos auxiliam com diversas partes dos projetos. Estamos em Porto Alegre, RS, dentro do TECNOPUC.

 

Qual a proposta do estúdio?

A proposta da Rockhead é desenvolver games que promovam uma experiência inesquecível e que possamos fazer o máximo em termos de qualidade dentro daquela proposta. Também queremos ver estes games aparecendo em outras mídias e isso já está acontecendo com o game Starlit Adventures. Além de novos games dentro deste universo, já fizemos HQs e uma série de animação está em desenvolvimento.

De onde veio o nome do estúdio?

Foi uma mistura de duas coisas: porque somos “cabeça dura” ao ter iniciado um estúdio novo, tudo do zero, após ter vendido o primeiro estúdio para a Ubisoft (em 2009). A segunda coisa é que adoramos os moais que apareceram nos games dos anos 80 feitos pela Konami!

 

Quantos games vocês produziram até agora? E qual foi o maior destaque de todos eles?

Em toda a nossa carreira, foram algumas dezenas! Na Rockhead o destaque até agora foi o Starlit Adventures que já tem mais de 10 milhões de downloads no mundo todo e ganhou destaques em várias lojas, bem como prêmios de melhor jogo em festivais no Brasil e na China.

Desde a criação do estúdio qual foi a maior dificuldade encontrada?

Desenvolver games free-to-play é um desafio incrível devido ao modelo de negócios em si. Imagine um comerciante que te dá de graça um produto e você só volta para pagar se realmente gostou. Obviamente o cara que fizer isso vai falir muito rápido! Pois é! Os games free-to-play têm feito isso de forma a pagar as contas!

 

Vocês já participaram de game jams? Como foi a experiência?

Participamos principalmente como “mentores” ou “jurados”, dado o nosso tempo de experiência no mercado. A nossa opinião é que jams são incríveis para praticar e acelerar muito o processo de profissionalização nessa área.

 

Como as famílias dos desenvolvedores reagiram ao saber que iam começar a trabalhar com jogos?

Bom, nos anos 90 imagine que isso não foi muito fácil!!! Mas felizmente as nossas famílias puderam nos apoiar principalmente nos primeiros anos em que não ganhávamos praticamente nada e já trabalhávamos muito!!!

 

Os jogadores brasileiros costumam gastar dinheiro com jogos indies?

Principalmente no Steam (PC) e nos games mobile vemos muitos desenvolvedores indie bem-sucedidos. Sabendo que o mercado brasileiro é bastante significativo em ambos, podemos dizer que a resposta é positiva!

Qual o projeto atual do estúdio?

Estamos trabalhando em mais de um projeto ao mesmo tempo e todos eles são baseados no universo de Starlit Adventures. Temos novos jogos surgindo como o Starlit Archery Club, que é um game PvP que envolve muita estratégia e precisão. Temos uma série animada para TV e VOD (video on demand) em desenvolvimento e está sendo um desafio enorme por ser um mercado completamente diferente dos games. Também estamos trabalhando em uma versão para PS4 de Starlit Adventures que será lançada em 2018.Nela é possível jogar multiplayer local com até quatro jogadores e está absurdamente divertida!

 

Atualmente os eventos dedicados a jogos nacionais como o BIG Festival e a área Indie da BGS estão dando bastante visibilidade aos produtores nacionais. Como vocês avaliam esse tipo de evento?

Estes eventos são fundamentais para a nossa indústria, pois precisamos aprender a valorizar aqui o que fazemos para nos fortalecer como indústria. Isso atrai mais jovens que passam a ver os games não só como consumidores, mas como uma potencial profissão. Vale lembrar que em países bem desenvolvidos a Indústria Criativa, a qual os games estão inseridos, gera empregos altamente qualificados e traz muitas divisas. Pense nos “bens intangíveis” como as propriedades intelectuais que a Disney, Marvel e Pixar têm, por exemplo. Precisamos ter coisas assim aqui no Brasil também!

Os impostos são um grande obstáculo para os consumidores e é sabido que encarecem os jogos, entretanto algumas iniciativas como a lei Rouanet parecem equilibrar um pouco as contas para o produtor (e consequentemente para o consumidor).  Vocês conhecem outras ferramentas que podem baratear os jogos brasileiros?

Creio que todo o desenvolvedor de games brasileiro deveria focar em cria-los para que sejam lançados globalmente, assim como fazem as empresas estrangeiras que os lançam aqui. Fora isso, o Brasil, como já sabemos, tem impostos altos e um sistema tributário complicado. O pior de tudo é que nós não recebemos um retorno proporcional a eles. Os games vendidos aqui sofrem dos mesmos males que vemos nos celulares e automóveis! Lá fora o preço é ridiculamente menor e nos sentimos otários sempre que compramos algo aqui. O que pode ser feito? Ano que vem tem eleições!!!

 

 

Qual a diferença dos jogos brasileiros comparados àqueles desenvolvidos por outros países?

Em muitos casos não há diferenças, pois há brasileiros que nem sabem, mas estão jogando games feitos aqui. Porém, ainda não temos produções de triple-A, que são aqueles games para PC ou consoles feitos por centenas de pessoas, ao longo de dois anos ou mais – as chamadas “superproduções”. Ainda assim, já temos empresas brasileiras participando dessas superproduções desenvolvendo arte aqui no Brasil, como no caso da Kokku que participou do Horizon Zero Dawn.

Talvez isso seja reflexo daquelas “décadas perdidas” em que não pudemos desenvolver games para consoles aqui no Brasil (nenhum fabricante autorizava a vinda de kits ao Brasil) e que mesmo até hoje o problema persiste na forma da dificuldade de importação destes itens (graças a nossa burocracia absurda). De qualquer forma, os desenvolvedores brasileiros já acharam meios de “contornar” o problema e distribuir seus games no mundo todo, e uma delas é o universo mobile.

 

Já vimos muitos casos de desenvolvedores talentosos que vão para o Canadá ou para os EUA. Por que isso ainda acontece?

Isso acontece em todas as áreas, na verdade. Infelizmente o nosso país não é muito atrativo nos quesitos mais básicos de uma sociedade organizada. Às vezes nem é a questão de ganhar um salário melhor, mas apenas o fato de poder andar na rua sem temer ser agredido ou até mesmo assassinado! Quem tem a oportunidade de viajar para outros países sempre acaba voltando com alguma vontadezinha de sair do Brasil principalmente por esses motivos básicos, pois a vida parece muito mais “light” do que aqui. Esse êxodo é inevitável enquanto não melhorarmos as condições de vida no Brasil. Nesse cenário, trabalhar com games é mais “internacionalizável” do que Direito ou Medicina, por exemplo, e você verá muitos desenvolvedores saindo com alguma facilidade caso sejam muito bons no que fazem.

 

Como vocês acham que serão os games do futuro?

Tecnologias novas vem surgindo a todo momento, como no caso da realidade virtual ou realidade aumentada. Essas são as “futurologias” mais óbvias. Porém, acho mais interessante observarmos novas tendências a partir de fatores amplos da sociedade e não apenas de uma tecnologia isolada. Veja a cultura dos e-sports e quais estão sendo seus reflexos no design dos games. Ou então, veja o empoderamento do jogador e da comunidade de jogadores quando existe conteúdo criado por eles mesmos. Onde as gerações mais novas estão aprendendo a jogar e como elas estão jogando? Acreditamos que esses fatores têm potencial de mudar mais radicalmente os games do que qualquer tecnologia por si só.

FOTO: CAIO ESCOBAR/PUCRS/DIVULGAÇÃO/JC

Ainda existe o preconceito dos jogadores brasileiros em relação aos jogos nacionais?

É triste, mas talvez ainda exista, sim. Quem sabe quando souberem que muitos estrangeiros estão jogando jogos brasileiros e que estes estejam recebendo prêmios no exterior isso os faça sentir um orgulho por ser brasileiro? Pois é, mas isso já está rolando!!!

 

Algum recado para quem sonha desenvolver games no Brasil?

Tenha foco e disciplina para exercitar seus “skills” como desenvolvedor. Monte um portfólio incrível. Procure parceiros complementares para fazer projetos mais audaciosos. Busque por cursos que te darão diplomas, mas não se esqueça que todo o curso é apenas uma “desculpa oficial” para mergulhar naquela profissão (os professores estarão lá para te orientar ou otimizar teu tempo, mas você que excederá o conteúdo básico). E o mais importante: a prática. Se você quer aprender a jogar futebol, terá que botar a bola no chão e chutar. Com games é a mesma coisa.

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NOTA DO REDATOR: A partir de hoje começamos uma nova série de entrevistas aqui no GameReporter! Como vocês sabem, nosso principal foco são os jogos independentes e a indústria nacional de jogos eletrônicos. Sempre soltamos aquela nota bacana quando um jogo merece destaque, fazemos reviews, e até cobrimos eventos com foco nesses jogos. Mas sempre nos perguntamos: quem são os caras por trás desses jogos?

A partir dessa pergunta inicial, resolvemos criar um especial cujo foco não são os games criados pelos desenvolvedores indies, mas sim os próprios desenvolvedores. A séries busca mostrar um pouco dos caras que fazem e movimentam a indústria local. A ideia é publicar uma entrevista por semana com diferentes desenvolvedores, sejam eles badalados ou não. Se você quer mostrar seu trabalho, por favor, entre em contato conosco para marcarmos aquela entrevista marota, hein!

PUC-SP: inscrições abertas para Mestrado Profissional em Jogos Digitais

Se você já tem uma graduação em desenvolvimento de jogos e quer melhorar suas habilidades, fique atento: estão abertas as inscrições para o Mestrado Profissional em Desenvolvimento de Jogos Digitais da PUC-SP. As inscrições vão até o dia a próxima sexta-feira (27/10). O curso do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (TIDD) da PUC-SP procura unir teoria e prática ao desenvolvimento de games, associado aos campos de design e computação.

O programa oferece as seguintes disciplinas: Análise e Modelagem de Jogos Digitais; Implementação de Jogos Digitais; Processos de Desenvolvimento de Jogos Digitais; Arquitetura de Jogos Digitais; Design de Interação; Ergonomia e Usabilidade; Roteiro Audiovisual e Narrativas no Design Interativo de Games.

O Mestrado Profissional em Desenvolvimento de Jogos Digitais da PUC-SP tem como área de concentração Engenharia e Design de Jogos Digitais, dividida em duas linhas de pesquisa: Software de Jogos Digitais e Design de Conteúdo para Jogos Digitais. De acordo com os responsáveis pelo curso, o programa de pós-graduação possui o apoio de empresas do ramo, entre elas a Microsoft, Unity 3D, Autodesk, Maxon, Blender e Unreal, além de uma rede de intercâmbio que inclui a Universidad de Salamanca, Universidad Politecnica de Madrid e a University of Malta – Institute of Digital Games.

O curso ainda conta com parcerias com instituições que tem os games como campo de pesquisa e desenvolvimento, entre elas Abragames, IGDA-SP, QUByte Game Studio e Messier Games Animations. O Mestrado Profissional em Desenvolvimento de Jogos Digitais da PUC-SP começou em 2001 pela Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia da PUC-SP, com a criação do curso de graduação interdisciplinar em Tecnologia e Mídias Digitais. A evolução deste curso é o novo Bacharelado em Design da PUC-SP.

Visando a necessidade de integrar a graduação com a produção e pesquisa no nível de pós-graduação, a Universidade também criou o primeiro Programa de Pós-Graduação em Tecnologias da Inteligência e Design Digital (Mestrado e Doutorado) do país, voltado prioritariamente para as interfaces ser humano – computador, sob os aspectos da cognição, educação, design digital e desenvolvimento de software.

A partir desses dois cursos, a PUC-SP elaborou ainda cursos de especialização e extensão na área, tais como Estéticas Tecnológicas, Desenvolvimento de Jogos em Unity 3D, Modelagem 3D: modelagem e criação de personagens, entre outros. Veja aqui.

PUC-SP: processo seletivo 2018

A PUC-SP está com inscrições abertas, até 27/10, para o processo seletivo dos cursos de pós-graduação stricto sensu, com início no primeiro semestre de 2018. Há vagas em 23 cursos de mestrado acadêmico, 3 cursos de mestrado profissional e 17 cursos de doutorado.

O edital com as informações da seleção para cada curso está disponível no site (onde é feita a própria inscrição). Ex-alunos que concluíram graduação, especialização ou mestrado na PUC-SP têm isenção da taxa de inscrição.

Start Up Game Nacional promete facilitar a vida de desenvolvedores brasileiros

Você que é desenvolvedor indie sabe todas as pedras que surgem no caminha até a publicação e reconhecimento de seu produto por parte do público. A plataforma Game Nacional está surgindo para tornar a caminhada menos árdua. Basicamente é uma plataforma para ajudar a divulgar e receber apoio aos trabalhos de desenvolvedores indies de jogos digitais do Brasil, dando suporte desde a venda e compra de participação de seus projetos – que podem estar em estágio de desenvolvimento ou já finalizados.

A plataforma Game Nacional surgiu no final de 2016, em MG e ela funciona como uma startup fazendo uma seleção dos games com maior potencial de venda e público. A partir daí inicia-se um trabalho de advisor, apresentando o jogo para a mídia e investidores. Mais ou menos como um trabalho de assessoria/business. A intenção é impulsionar o cenário de jogos nacionais e tornar a vida do desenvolvedor mais fácil, não precisando se preocupar com detalhes extra-produção.

Alguns dos games apoiados pela Game Nacional

“Exibimos os games em eventos e festivais, apresentamos para investidores, orientamos sobre a gestão das redes sociais, fornecemos tradutores para dar uma nova perspectiva de distribuição para o game, oferecemos sonoplastia e suporte no relacionamento com a imprensa e influenciadores. Enfim, criamos toda base para levar o jogo a um outro patamar, podendo alcançar novas plataformas antes não vislumbradas como o Xbox, Playstation ou AppStore. Tudo isso com a curadoria de consultores experientes no mercado”, explica Adriano Reis, sócio da plataforma que atualmente conta no portfólio com seis jogos, dos quais três já receberam investimento.

Games que receberam apoio da Game Nacional

De acordo com os responsáveis, a plataforma Game Nacional já conquistou aporte para três jogos, e um deles está sendo atualizado para o lançamento até o final do ano. O primeiro deles foi Restless, um game 3D de ação com uma pegada de terror em terceira pessoa com puzzles. Outro jogo a receber apoio da start up foi DarkElf, um RPG 2D de ação com um visual vivo e um enredo dinâmico. Por fim, o game do Sansão, do gênero de ação e aventura com gráficos incríveis com uma história adaptada da Bíblia, também recebeu aporte e deve ser lançado a partir do segundo semestre deste ano.

Restless, um dos jogos beneficiados pelo projeto Game Nacional

Para o desenvolvimento deste trabalho, a startup conta com parceiros de peso, a BGC (Brasil Game Cup) e a BGS (Brasil Game Show), que disponibilizam stands para a apresentação dos jogos. A BGS é o maior evento de jogos da América Latina. Se você ficou curioso ou interessado, pode obter mais detalhes sobre o projeto no site oficial.

Brasil tem maior delegação participando da GDC e Game Connection America

A GDC e a Game Connection America começam hoje (27) e vai até o dia 3 de março, na cidade de São Francisco, EUA. Mas sabe o que é mais legal? O Brasil tem a maior delegação participando dos eventos, mostrando a força dos desenvolvedores brasileiros. O Projeto Brazilian Game Developers, BGD, uma parceria da Abragames com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), leva 36 empresas de games e mais de 100 profissionais para a Game Developers Conference, GDC, e Game Connection America (GCA), duas das principais conferências de games do mundo.

Esta é a primeira vez que o Brasil tem dois jogos finalistas na Game Connection Development Awards 2017, uma das mais importantes premiações internacionais de games, organizada pela Game Connection. O jogo No Heroes Here, da empresa Mad Mimic, foi nomeado para o The Best Social Game, e o game The Rabbit Hole, da VR Monkey, concorre na categoria The Best Hardcore Games, The Most Creative & Original Game e Best Indie Game.

rabiit-holeDesde 2015, o Brasil tem algum representante como finalista deste prêmio que acontece na Game Connection America, em São Francisco, e na Game Connection Europe, em Paris. My Night Jobs, da Webcore, concorreu em 2015, Alkimya, Bad Minions, em 2016 na Game Connection America, e Hempire, Lumentech, foi finalista em 2016 pela Game Connection Europe. Vale lembrar que No Heroes Here e The Rabbit Hole também concorrem na categoria People’s Choice, que possui votação aberta.

Segundo Eliana Russi, gerente executiva do BGD, esses resultados mostram como a indústria brasileira de games cresceu e amadureceu nos últimos dois anos. “Temos empresas muito competentes, de todo o Brasil, que estão competindo com estúdios de países com indústrias de games muito mais sólidas e reconhecidas do que a nossa”, explica.

heroes-hereEsse crescimento de qualidade dos jogos desenvolvidos no Brasil pode ser atribuído a diversos fatores, tais como a parceria da Abragames com a Apex-Brasil, por meio do BGD, a criação do BIG Festival, maior festival de games independentes da América Latina, e a participação de muitas empresas em programas de aceleração de games internacionais, tais como GameFounders e Core Labs, nos quais 14 estúdios foram acelerados desde 2015.

Outro destaque do Brasil na Game Connection é a empresa Gazeus Games, única empresa brasileira a desenvolver jogos para o Instant Games do Facebook. Dominoes Battle é o único jogo multiplayer dessa plataforma. É um jogo de dominó no qual os usuários da rede social podem enfrentar em tempo real outros jogadores ao redor do mundo ou um robô. O Jogo está no ar desde o dia 16 de fevereiro e, por enquanto, está disponível apenas na Austrália.

 

Serviço: Game Connection America 2017

Data: 27 de Fevereiro a 1 de março

Local: At&T Center, San Francisco, CA

 

Evento:  Game Developers Conference, GDC

Data: 27 de Fevereiro a 3 de março

Local: Moscone Center, San Francisco, CA