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Infância Livre: FACISA e MPT da Paraíba lançam jogo para alertar sobre a Exploração Infantil

Um dos melhores games (senão o melhor) a dar as caras na Brasil game Show 2015 foi o indie Infância Livre, criado em parceria entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) de Campina Grande (PB) e o Curso Superior de Jogos Digitais (FACISA). O que eleva o título a este patamar de “melhores do evento” não é propriamente a sua qualidade técnica, mas sim a mensagem que ele tenta passar ao jogador.

Criado como Projeto de Extensão dos estudantes da FACISA, o título alerta para os males do trabalho infantil para o desenvolvimento da criança e do adolescente, destacando também que o trabalho infantil fere o Estatuto da Criança e do Adolescente. Para isso, o jogador acompanha a saga de um agente especial que visita lugares de exploração infantil alertando as crianças e adultos sobre o tema. O objetivo é tirar as crianças da situação do trabalho ilegal.

Um ponto interessante de Infância Livre é que os diálogos e situações apresentadas no título são inspirados em fatos reais, de modo que a aventura consegue sensibilizar o jogador. Afinal, quem não ficaria com pena ao ouvir a história do garoto que trabalha no farol à noite para ajudar a família? Durante a aventura o jogador explora diversos ambientes como lixões, o meio rural, o trânsito e até o trabalho doméstico.

De acordo com os desenvolvedores, existem cerca de 170 milhões de crianças desenvolvendo trabalho escravo no mundo, sendo que somente no Brasil são mais de 3 milhões de jovens nesta situação. A ideia é que o game possa mobilizar a sociedade para a erradicação dessa prática e assim sirva de ferramenta de conscientização. O processo de criação foi possível graças aos esforços dos estudantes Aleff Ghimel, César Augusto, Aurélio Filgueiras e Valdemir Segundo, sob a supervisão do coordenador do curso, Rodrigo Motta.

Durante a BGS 2015 os visitantes podiam testar o jogo e conversar com os desenvolvedores. De acordo com eles, a recepção dos jogadores era das mais calorosas. Infância Livre é gratuito e pode ser acessado pela web. Posteriormente haverá lançamento para Android e iOS.

Abaixo tem o trailer de Infância Livre:

Conheça o projeto The Rotfather do grupo G2E

The Rotfather é um projeto grande da G2E (Grupo de Educação e Entretenimento) e pôde ser visto em primeira mão pelos visitantes da Brasil Game Show 2015. O projeto engloba livro, animação, boardgame e um jogo digital (que é o que vamos abordar aqui). A história é centrada em Al Kane, um rato dos esgotos de Nova York dos anos 40 que controla o submundo do comércio de açúcar, à lá O Poderoso Chefão.

No início do game, seu braço direito é assassinado misteriosamente e Kane é traído por seus comparsas, agredido por um grupo de baratas da Yakusa e deixado para morrer. A partir daí, Kane deve descobrir quem o traiu e tentar reerguer seu império criminoso. Para isso, ele deve passar por diferentes áreas de NY, como os esgotos, os becos, cabaré etc.

O título é em 2D e está em votação na Steam. Os elementos de jogabilidade ainda são simples, mas mostram todo o potencial de uma aventura digna da geração 16 bits. Os gráficos são detalhados e bastante artísticos, lembrando algo de Heart of Darkness, Pitfall e Donkey Kong. Durante as fases, Kane deve desviar de armadilhas e obstáculos colocados pela gangue das baratas.

Ainda que o visual do game seja bastante interessante, é o enredo que mais se destaca no projeto. De acordo com Monica Stein, coordenadora do projeto, The Rotfather tem influências bastante variadas de ícones da cultura pop, como Game of Thrones, Scarface e o próprio The Godfather. “Vimos que as histórias que estão fazendo sucesso atualmente são de anti-heróis”, brinca Mônica. Não por acaso, o título conta com uma série de conspirações e tramas paralelas.

A intenção da G2E é que The Rotfather seja uma trilogia, tal como sua fonte de inspiração mais evidente. Além do game, os organizadores prepararam uma série de animação, que conta a história por trás dos personagens do game. Essa série é composta por 4 temporadas de 13 episódios com três minutos cada um. Essa parte está em desenvolvimento ainda e em breve haverão novidades para os fãs.

O trailer de The Rotfather:

Smyowl publica Super Button Soccer no Steam Greenlight

Um dos games que mais fizeram sucesso na área indie da Brasil Game Show foi o Super Button Soccer, o game de futebol de botão virtual da Smyowl. O game chamou as atenções do público e da mídia devido à sua qualidade inegável. O game está em campanha para ser lançado na Steam Greenlight, mas para isso a Smyowl precisa da ajuda dos jogadores. Para participar, basta entrar na página do game na Steam e responder a pergunta se você compraria o game na Steam.

Para quem não conhece, Super Button Soccer é um jogo virtual de futebol de botão que traz a brincadeira nostálgica para PCs e consoles. A Smyowl trabalhou o game para que ele fosse um e-sport, apesar de bem diferente do habitual. Para isso, a produtora adicionou elementos típicos do estilo, como partidas multiplayer locais e online. Além disso, o jogo conta com jogadas especiais graças a combinação de diferentes botões – cada um com uma habilidade especial diferente – ampliando a estratégia usada por cada jogador na hora de escolher o time para entrar nos gramados virtuais que prometem muitas emoções.

“Ter o jogo no Greenlight é o primeiro grande passo de nossa caminhada. Queremos fazer do jogo Super Button Soccer um e-Sport competitivo online com apelo mundial e uma divertida experiência multiplayer local, e o Steam é uma plataforma que dá início ao nosso planejamento de fomentar essa comunidade e criar um game de qualidade internacional a partir do feedback de nossos jogadores”, disse Mauricio Alegretti, VP de Games da Smyowl.

De acordo com Maurício, colocar o game na Steam permite que o estúdio obtenha importantes feedbacks da comunidade antes mesmo de lançar o  jogo. “Além de poder votar no jogo, as pessoas também podem interagir conosco na página do Super Button Soccer na Greenlight, comentando o que estão achando e o que gostariam de ver no produto final”, finaliza o executivo.

O título rendeu à Smyowl um dos estandes mais disputados da feira, onde os jogadores realizaram os primeiros torneios do game valendo brindes da Razer. Além disso, Super Button Soccer também foi um dos indicados ao título de “Melhor Jogo Original” da BGS pelo Brazil Game Awards. Para votar em para o game ser lançado no Greenlight basta acessar a página da Steam.

O trailer de Super Button Soccer:

Kriaturaz: jogo do estúdio Messier coloca lendas do folclore brasileiro para brigar

Um dos estandes mais bonitos da Brasil Game Show foi o do estúdio independente Messier Games. O estúdio de Santo André, SP, montou um estande todo estilizado com plantas e árvores para chamar a atenção dos jogadores para o game Kriaturaz: O Guardião das Lendas, um título que leva as lendas e folclores brasileiros para o campo de batalha à lá Killer Instinct.

O game retrata as criaturas do folclore nacional, porém com uma estética totalmente nova e agressiva. Deste modo, o Saci-Pererê ganhou traços medonhos e a Cuca deixou de ser uma mulher-jacaré, para se tornar uma criatura saída de pesadelos infantis. O estilo artístico permitiu que as personagens se adequassem ao gênero de combate (que em geral apresenta personagens agressivos e com cara de poucos amigos).

Alguns dos recursos do jogo são bastante tecnológicos e inéditos para produções locais, tais como a geolocalização e o uso de QRcodes para acesso de diferentes conteúdos. Durante a BGS, aliás, o estúdio preparou uma versão especial via Twitter em que os jogadores davam ordens de batalha online para os lutadores e estes golpes eram executados em tempo real.

Tal como funciona em Pokémon, o jogador atuará como um treinador de monstros. Ou seja, irá capturar as criaturas, treiná-las e depois coloca-las para brigar com outros seres míticos. De acordo com o estúdio, a pesquisa das quase 300 criaturas presentes no game levou cerca de 5 meses. Tais criaturas são oriundas de lendas indígenas ou trazidas pelos colonizadores europeus.

Kriaturaz conseguiu financiamento graças à lei Rouanet, que permite que impostos sejam direcionados a projetos culturais. De acordo com os desenvolvedores, o game deve chegar ao mercado em meados de 2016 para as plataformas Android, iOS e Windows Phone em um primeiro momento. Posteriormente haverá lançamentos para PC e consoles.

Veja o teaser de Kriaturaz:

Balanço geral da Brasil Game Show 2015

A Brasil Game Show foi encerrada na última segunda-feira (12) e reuniu cerca de 280 mil visitantes ao longo dos cinco dias de evento (nenhum outro evento de games conseguiu tal feito em terras tupiniquins). O saldo foi extremamente positivo, afinal de contas a organização conseguiu captar cerca de 70 toneladas de alimentos não perecíveis, que serão doados para a Casa de David, instituição que cuida de pessoas com deficiência intelectual, física e autismo. Além do numero gigantesco de pessoas e de alimentos, o evento contou com a participação de centenas de empresas ligadas ao ramo dos jogos eletrônicos e tecnologia.

Um dos grandes destaques (como não poderia deixar de ser) foi o estande da Microsoft, que reservou seu grandioso espaço para divulgar a melhor linha de jogos da história do Xbox. Entre as novidades estavam Forza 6, Halo 5: Guardians, Rise of the Tomb Rider,  Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, Batman: Arkham Knight, Mad Max, Final Fantasy XV, , Cuphead, Rock Band 4, Killer Instinct Season 3, FIFA 16, Mortal Kombat X, entre outros.

O espaço da gigante americana estava bastante movimentado com fãs testando os mais diferentes jogos possíveis. Havia um espaço parecido com a dashboard do Xbox onde os visitantes podiam tirar fotos e posteriormente a equipe da Microsoft disponibilizaria as fotos para os fãs. Também foi montado um palco e um telão no estande, onde ocorriam desafios de jogos e apresentações de dança com o boneco de Cuphead. Rise of the Tomb Raider foi apresentado à portas fechadas e até havia uma garota com cosplay da Lara tirando fotos com os fãs. Ah, vale lembrar que o chefe da divisão Xbox, Phil Spencer esteve pessoalmente no estande para apresentar os jogos, receber a imprensa e até tirou fotos com fãs.

Quem também fez bonito foi a Sony com seu bonito estande para promover os próximos lançamentos do Playstation 4. Entre os jogos destacados estavam Dark Souls 3, Horizon Zero Dawn, o lindo Star Wars Battlefront,  Street Fighter V, Cavaleiros do Zodíaco: Alma dos Soldados, Uncharted: The Nathan Drake Collection, Pro Evolution Soccer 2016. O estande da Sony estava repleto de consoles fabricados aqui mesmo no Brasil, a fim de mostrar que a fabricação local está a todo vapor e tudo está indo bem.

O estande da gigante japonesa foi um dos mais concorridos da feira e andar por lá era uma tarefa heroica. Na área do palco principal houve uma grande surpresa para o público graças à participação do Yudi Tamashiro, que fez questão de relembrar seus tempos de Bom Dia e Cia, onde ele ganhou fama sorteando o Playstation 2 e Playstation 3.

No estande da Warner/EA não faltou animação, tudo graças aos badalados como FIFA 16, Star Wars Battlefront, Street Fighter 5, Need For Speed,LEGO Marvel Avengers, Mortal Kombat X, Batman Arkham Knight, Mad Max, Mega Man Legacy Collection, Resident Evil Origins Collection, além de títulos para dispositivos móveis. Street Fighter V, aliás, foi considerado por muitos como o melhor jogo da feira. No espaço da Warner tinha espaço também para um carro estilizado com o logo de Need for Speed, que também estava jogável.

A Activision não perdeu tempo e reservou seu espaço para divulgar o novo Call of Duty Black Ops 3, Guitar Hero Live e a expansão Destiny: O Rei dos Possuídos. As filas para jogar Guitar Hero estavam bem longas, mas ninguém estava reclamando.

Outra empresa que marcou presença foi a Ubisoft, que levou para a feira os seguintes jogos: Just Dance, Rainbow Six: Siege, Assassin’s Creed Syndicate e Tom Clancy’s The Division. O espaço dedicado a Just Dance era um dos mais celebrados pelos fãs, pois a Ubisoft organizou uma competição local para definir a última vaga para a final da Copa do Mundo de Just Dance. Os jogadores mais jovens puderam se divertir bastante no grande espaço dedicado à Minecraft, o jogo da Mojang que é um dos mais populares de todo o mundo.

Para os jogadores de PC não faltou tecnologia de ponta, graças aos estandes da Razer, Hyper X, Nvidia e Mad Catz. Teve até um espaço da DX Racer com cadeiras confortabilíssimas 0para gamers. Jogadores de PC tiveram vez, pois essas empresas trouxeram o que há de mais tecnológico no ramo de placas e processadores.

Quem queria fazer compra de jogos podia conferir as promoções da Saraiva ou da Americanas. Pena que a Nintendo não tem mais participação no Brasil, pois não era possível encontrar os jogos para Wii U em parte alguma. Na área dedicada aos Arcades formavam-se filas para testar os jogos que fizeram história ao longo dos anos. Street Fighter 2, as variações de King  of Fighters, Tekken, jogos de corrida de carros e de motos, enfim, tinha um pouco de tudo por lá.

Esse espaço até parecia uma casa de fliperama com a vantagem de que não era necessário pagar fichas para jogar. Tinha até um “jogo de botcha” para os mais entusiastas. Para completar o clima retrô, havia uma exposição de consoles antigos mostrando a evolução dos videogames desde a primeira geração.

Na área dedicada aos desenvolvedores independentes haviam jogos para todos os gostos, desde o futebol de botões da SmyOwl até as pipas da Maiworm. O espaço dos indies era grande e bem localizada, diferente do ano passado. Deste modo, os fãs de jogos eletrônicos encheram os corredores e estandes das produtoras nacionais. Os games apresentados lá estavam em ótimo nível de produção e o GameReporter vai abordar a maior quantidade deles em postagens futuras.

A novidade ficou por conta dos estandes localizados em outro pavilhão do Expo Center Norte: havia um estande do Youtube, onde passavam youtubers populares; a área da da Brasil Game Cup (com um torneio de Dota 2); a área de Cosplay Meeting para facilitar o encontro com cosplayers badalados; e um espaço chamado Meet & Greet que permitiu a interação entre os jogadores e personalidades da indústria como Yoshinori Ono (Street Fighter) e a Kenya Sommerfeld (apresentadora da BGS).

Por fim, a BGS mostrou-se ser um acontecimento da cultura pop e já está no calendário dos grandes eventos do Brasil. Marcelo Tavares, criador da feira, já confirmou a edição 2016, porém ocorrerão algumas mudanças. De acordo com Marcelo, a edição 2016 ocorrerá no mês de setembro e o local também será alterado: será no São Paulo Expo, o mesmo local onde ocorre a Comic Con Experience, na zona sul da cidade. De acordo com o executivo, as mudanças visam a melhoria do evento, contudo um dos maiores elogios da edição 2015 foi justamente o espaço do Expo center Norte.

Galeria de fotos da Brasil Game Show