Resident Evil e o racismo…

Fernando Rodrigues, do Geração Bit

Após a divulgação do primeiro vídeo de Resident Evil 5, um fato chamou bastante atenção: a quinta aventura se passa na África e os “zumbis” (depois dos ganados de RE4 não se sabe exatamente o que são essas criaturas) são negros. Dado o extremo contraste entre o militar boa pinta americano e esses seres inferiores (os “zumbis”), logo trouxe a polêmica muito antes mesmo do jogo ser lançado: que ele expressa racismo.

É preciso considerar alguns fatores antes de julgar se o preconceito contra africanos realmente existe. Primeiramente: já estamos no quinto episódio e até então, ninguem se falava em racismo. Logo, todo essa discussão pode inicialmente aparentar ridícula, gerada por um blog de africanos que, já traumatizados com suas próprias dores, se sentem vítimas da sociedade. Mas basta apenas uma releitura mais atenciosa para notar que o quadro não é tão simples. Primeiramente que os zumbis dos outros REs eram verdadeiramente zumbis, até o quarto episódio. Como tal, eles não falavam, não pensavam, não agiam em grupo ou eram vistos como uma comunidade real, mas apenas como um cenário particular (cinematográfico, diga-se de passagem), palco de um game de terror. No quarto episódio (com o surgimento dos ganados), a coisa estava diferente: a aventura se passa Europa, com pseudo-zumbis que falam espanhol e moram em vilas pobres, e que se não fosse pelo enorme arsenal de armas de fogo que o protagonista carrega, ou a máquina de escrever usada para salvar (olha que estou falando de uma máquina de escrever!), seria facilmente confundida com uma aldeia de alguns séculos atrás.

“Mas ninguem reclamou!”

Isso é até bem óbvio, afinal de contas, latinos não sofrem tanto preconceito nem foram perseguidos como os negros. E, apesar de não ter visto pessoalmente nada do gênero, não duvido nenhum pouco que muitos americanos riam da cara dos ganados e do seu jeito idiota de falar, enquanto esvaziavam pentes em cima deles. E não quero nem ver como será em Resident Evil 5, nos momentos apertados, quando 5 ou mais zumbis negros dificultarem a vida dos jogadores… (é… imaginou?)

A IGN lançou um artigo hipócrita dizendo que japoneses não são preconceituosos (pelo amor de Deus… se eles realmente não fossem, não existe um pingo de bom senso em observar que o jogo que estão fazendo não será só pra eles?) e que o game não tem motivos para ser considerado racista. Pessoalmente, não creio que colocar negros como zumbis os rotulem de inferior. Aliás, a melhor forma (e talvez a única) de realmente acabar com esse tipo de preconceito é ignorar totalmente a possibilidade de que o caráter ou atos de um indivíduo podem ser definidos por sua tonalidade de pele, que no final das contas, não tem a menor diferença. Mas até conseguirmos acabar com a ridícula idéia de que uma pessoa é superior ou inferior a outra pela quantidade de melaninas (ou quaisquer outras características físicas), a situação real do preconceito precisa ser reconhecida e trabalhada com delicadeza.

Ainda está para sair um Resident Evil onde os zumbis conversam uns com os outros como idiotas e falam inglês.

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