Play como um elemento do design de games

Por Alexandre Braga

O termo play, em inglês, pode ter uma série de significados diferentes, a depender do contexto em que a palavra está inserida, jogar (play) um jogo, interpretar (play) um papel no teatro, brincar (play) de pega-pega, e tocar (play) um instrumento musical. No entanto, sem um contexto específico o termo não pode ser definido, isto é, play deixa de ter um sentido exato.

Na busca de uma definição desse sentido, a autora do livro Game Design Workshop, Tracy Fullerton questiona: “É fundamental estar claro para nós, o que play quer dizer, antes de tentar introduzi-lo nos nossos projetos de jogos.” Dessa forma, uma ação dentro do jogo que pode ser definida como play, ou ainda, um jogo que tem potencial para que o jogador possa play são metas importantes do design de games.

Na tentativa de responder essa questão a autora aponta a pesquisa do psicólogo Bernard Mergen que afirma que play não é jogo, isto é, o ato de play não está relaciondo à competição, pois não é uma ação na qual o jogador espera um resultado específico e contabilizado, está mais relacionada a uma experimentação, que o jogador realiza com o intuito e se divertir. Esta ação, play, não é, necessariamente, guiada pelas regras, ou seja, as regras não proíbem o jogador de realizá-la, mas não exigem esta ação específica para que o objetivo seja alcançado.

Um exemplo interessante para ilustrar essa questão, sobre o fato de play não ser sinônimo de competição, está presente no jogo de futebol, tanto digital quanto o próprio esporte de campo. A realização de um drible em uma situação que o jogador poderia tocar a bola para um parceiro é, de certa forma, dispensável se for considerado o objetivo final do jogo, que é marcar gols para pontuar. Nesse sentido a forma com que o jogador vai proceder, driblando ou passando a bola, está pautada pelo que as regras permitem, mas por outro lado, ao agir, além de buscar o resultado pretendido, o jogador quer se divertir, o que leva ele a escolhas que não necessariamente estão ligadas à competição. Por exemplo driblar, dar o chamado lençol, realizar o “futebol arte”.

Dessa forma o game FIFA Street oferece ao jogador uma condição de play maior que o concorrente Winning Eleven, por dar suporte a um maior número de ações performáticas, como variados tipos de dribles, definindo uma jogabilidade diferente para dois jogos que seguem as mesmas regras e objetivos.

Sendo assim, podemos considerar que o termo play, associado ao de jogabilidade, como conceito, recorra aos mesmos sentidos delegados àquelas ações gratuitas que realizamos nas relações cotidianas e que não pedem qualquer justificativa.

A resposta a esta questão significa constatar que um jogo oferece mais condições de play que outro, pois está vinculado às satisfações de questões subjetivas de cada jogador. Muitos hardcore gamers sequer gostam de games com o tema de futebol. Para tentar uma definição mais profunda do sentido de play, para cada indivíduo, a autora do livro Game Design Workshop, Tracy Fullerton, definiu tipos de players diferentes:

Performático, Competidor, Recordista e mais uma série que demonstram que o play emerge da relação clara entre aquilo que o jogador realiza e o que o jogo significa para ele.

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