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Os destaques da semana do GameReporter

MinC, Abragames e UFRGS lançam cursos a distância de capacitação para o mercado de jogos eletrônicos

O ano começou e você não vai querer deixar passar mais uma temporada da sua vida sem investir na carreira, certo? Pois bem, o Ministério da Cultura, a Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames) e o Núcleo de Estudos em Economia Criativa e da Cultura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (NECCULT-UFRGS), lançam, nesta quarta-feira (31), o curso “O setor de games no Brasil: panorama, carreiras e oportunidades na modalidade de educação a distância (EAD)”.

Este é o primeiro de uma série de três cursos em EAD voltados para a capacitação de futuros ou atuais profissionais do mercado de jogos eletrônicos. Os demais cursos, “Dicas e desafios para empreendedores” e “Internacionalização no setor de games”, serão lançados em fevereiro. 

Os conteúdos dos cursos foram gerados a partir do conteúdo dos debates da edição de 2017 do Brazil’s Independent Game Festival (BIG Festival) – o maior festival de jogos independentes da América Latina, cada curso tem 30 horas. Eles estarão disponíveis gratuitamente em uma plataforma educativa desenvolvida pela UFRGS, contarão com material de apoio e, ao final de cada um, os participantes receberão certificado da universidade gaúcha. Durante o BIG Festival 2018, entre os dias 27 e 29 de junho em São Paulo, haverá uma solenidade de entrega de certificado para as dez primeiras pessoas que completarem os três cursos.

O curso introdutório, Setor de games: panoramas, carreiras e oportunidades, pode ser feito tanto por iniciantes quanto por aqueles que já dispõem de informações sobre o mercado de jogos. As inscrições estarão abertas a partir de quarta-feira (31) e podem ser feitas pela internet. Este primeiro curso contará com cinco aulas, onde será feita uma análise inicial do setor, sua importância na economia criativa, nas estruturas das desenvolvedoras independentes e na articulação de comunidades que permitam um crescimento conjunto do setor. A ideia é mostrar quais são as possíveis áreas de atuação dentro do mercado de games entre as quais estão roteirista, programador e designer, entre outras.

O papel das instituições públicas no fomento do setor e no seu fortalecimento ao longo dos últimos anos também é abordado por este primeiro curso do programa. Os alunos poderão ver as orientações de especialistas do BNDES, do Sebrae, da Agência Nacional do Cinema (Ancine) e Spcine sobre como as pequenas desenvolvedoras de games podem obter sucesso.

 

SERVIÇO – Curso – Setor de games: panoramas, carreiras e oportunidades

Cadastro para instruções de acesso ao curso em: https://lumina.ufrgs.br/login/signup.php.

Site para inscrição:  https://lumina.ufrgs.br/course/view.php?id=42

Ubisoft apresenta Sam, primeiro assistente pessoal para usuários de seus games

A Ubisoft decidiu apostar alto na forma como interage com seus jogadores: a empresa acaba de lançar o Sam, o primeiro assistente pessoal gamer da companhia.  Basicamente trata-se de uma forma de inteligência artificial que vai utilizar as informações de perfil dos jogadores, biblioteca de jogos, amigos, comunidade e serviços da Ubisoft para dar dicas e informações personalizadas aos usuários. O serviço funciona como um chatbot e é parte do aplicativo Ubisoft Club.

De acordo com a Ubisoft, o Sam está disponível apenas no Canadá, porém será disponibilizado para outros países em breve. O Sam é capaz de direcionar os jogadores para diferentes áreas do site da Ubisoft sempre que eles procurarem informações sobre datas de lançamentos de jogos, assistir a um trailer, descobrir Easter Eggs em um jogo ou conversar sobre os personagens das diferentes franquias da empresa. A parte mais legal: os gamers podem conversar com Sam por meio de voz ou texto e perguntar qualquer coisa sobre os produtos da Ubisoft por meio do chatbot Q&A.

O Sam ainda pode ser conectado diretamente às contas dos usuários na Ubisoft e gerar uma análise sobre suas últimas partidas, fornecendo dicas por meio da função Daily Login, que já está disponível em Tom Clancy’s Rainbow Six Siege. Com este recurso, Sam identifica as dificuldades dos jogadores e envia, automaticamente, vídeos para a comunidade com novas orientações. Como está em fase beta, novas funções estão sendo planejadas para aprimorar o Sam nos próximos meses e enriquecer o serviço oferecido aos jogadores da Ubisoft.

O assistente foi criado com a edição Dialogflow Enterprise do Google Cloud, uma tecnologia de desenvolvimento completa que utiliza o processamento de linguagem natural para criar interfaces de conversação. Ele lembra bastante a Siri, da Apple.

“Com o Sam, oferecemos um serviço inovador e útil para os jogadores, capaz de identificar seus perfis e melhorar suas experiências de jogo. O assistente pessoal permite que os usuários encontrem as informações que precisam com mais rapidez e não percam tempo que poderiam investir no jogo”, disse Stephanie Perotti, vice-presidente de serviços online da Ubisoft. “A edição Dialogflow Enterprise do Google Cloud nos ajudou a trabalhar de forma dinâmica e constante para entregar um ótimo serviço aos nossos fãs”.

Para mais informações sobre o Sam e o Ubisoft Club, visite a página oficial.

Brasil Game Show lança segunda edição de seu livro com a história completa do evento

Após dez edições de puro sucesso, a Brasil Game Show lança  a segunda edição que visa contar  casos e histórias  dos dez anos do maior evento de games da América latina. O livro Brasil Game Show – o Livro narra momentos marcantes da história do evento e ainda conta detalhes e bastidores dessa incrível trajetória iniciada em 2009, no Rio de Janeiro.

“Brasil Game Show – o Livro” é uma publicação da Editora Europa. Um dos destaques é o capítulo que fala da histórica BGS10, além de contar sobre a mítica edição 2012 (quando o evento veio para São Paulo e se tornou o maior do Brasil). A obra conta com textos em português e inglês, capa dura, embalagem exclusiva e diagramação totalmente reformulada. A obra já está disponível para compra pelo site da BGS e custa R$ 99.

Mais do que um resumo das 10 edições da Brasil Game Show, o livro traz ainda a inspiradora história de empreendedorismo de Marcelo Tavares, criador da feira e um dos maiores colecionadores de games do Brasil, com um acervo de 350 consoles de todas as gerações e mais de 4 mil jogos.

“Nosso objetivo é compartilhar com os gamers não apenas os principais momentos do evento, mas também alguns episódios marcantes da história da indústria no país”, disse Marcelo, lembrando que o livro conta também um pouco de sua trajetória pessoal, que começou como a paixão por videogames na infância e se transformou no sonho de conduzir a BGS para mais de 300 mil visitantes a cada edição.  “Nesta obra, o leitor acompanhará a primeira parte de um caminho longo que está longe de terminar. A 11ª edição da BGS, em 2018, já tem grandes nomes confirmados, promete ser ainda melhor do que a última e o começo de um novo capítulo”, completa.

Mais detalhes sobre a edição especial de Brasil Game Show no site do evento.

 

Serviço – Brasil Game Show 2018

Quando: 10 a 14 de outubro (1º dia exclusivo para imprensa e negócios)

Onde: Expo Center Norte

EndereçoRua José Bernardo Pinto, 333 – Vila Guilherme, São Paulo/SP

Horário: 13h às 21h

Este é o calendário da primeira fase do CBLoL 2018!

Acabou a espera! Quem curte o CBLoL já pode começar a torcer para seu time favorito! A Riot Games, produtora e desenvolvedora do League of Legends, anunciou o calendário oficial das batalhas da Primeira Etapa do Campeonato Brasileiro de League of Legends, o CBLoL, assim como a escalação dos times participantes. A competição terá início no dia 20 de janeiro, no estúdio da Riot Games, em São Paulo, e o primeiro embate da Fase de Pontos será entre as equipes INTZ eSports e Vivo Keyd.

Neste ano, o CBLoL chega ainda mais competitivo com o novo formato anunciado em novembro, baseado em séries Melhor de Três e Escalada. Com Fase de Pontos disputada em séries Melhor de Três, o torneio ainda terá a inauguração da Escalada e da Série de Promoção na nova Fase Eliminatória que acontece entre 17 de março e 14 de abril. O regulamento de como isso vai funcionar está disponível no site oficial do CBLoL 2018.

Confira o calendário completo da Primeira Etapa do CBLoL 2018 abaixo:

Fase de Pontos

Semana 1 Sábado, 20 de janeiro 13h – INTZ eSports x Vivo Keyd 15h – CNB eSports x KaBuM eSports

Domingo, 21 de janeiro 13h – paiN Gaming x Team oNe 15h – Red Canids Corinthians x ProGaming eSports

Semana 2 Sábado, 27 de janeiro 13h – Red Canids Corinthians x CNB eSports 15h – Team oNe x INTZ eSports

Domingo, 28 de janeiro 13h – Vivo Keyd x ProGaming eSports 15h – KaBuM eSports x paiN Gaming

Semana 3 Sábado, 03 de fevereiro 13h – CNB eSports x paiN Gaming 15h – Team oNe x Vivo Keyd

Domingo, 04 de fevereiro 13h – KaBuM eSports x Red Canids Corinthians 15h – ProGaming eSports x INTZ eSports

 

 

Semana 4 Sábado, 17 de fevereiro 13h – Vivo Keyd x paiN Gaming 15h – KaBuM eSports x ProGaming eSports

Domingo, 18 de fevereiro 13h – Team oNe x Red Canids Corinthians 15h – INTZ eSports x CNB eSports

Semana 5 Sábado, 24 de fevereiro 13h – KaBuM eSports x Team oNe 15h – Vivo Keyd x Red Canids Corinthians

Domingo, 25 de fevereiro 13h – INTZ eSports x paiN Gaming 15h – ProGaming eSports x CNB eSports

Semana 6 Sábado, 03 de março 13h – Red Canids Corinthians x INTZ eSports 15h – paiN Gaming x ProGaming eSports

Domingo, 04 de março 13h – CNB eSports x Team oNe 15h – Vivo Keyd x KaBuM eSports

Semana 7 Sábado, 10 de março 13h – ProGaming eSports x Team oNe 15h – CNB eSports x Vivo Keyd

Domingo, 11 de março 13h – INTZ eSports x KaBuM eSports 15h – paiN Gaming x Red Canids Corinthians

Fase Eliminatória

Escalada: 17, 18 e 24 de março Final da Primeira Etapa 2018: 07 de abril Série de Promoção: 14 de abril Série de Acesso: 15 de abril

Campus Party Brasil 2018 terá programação especial dedicada ao eSport

Quem for visitar a Campus Party 2018 irá conferir mais uma grande novidade: a Academia Gamer. Por meio de conteúdo prático e didático sobre o mundo do eSport, o espaço vai trazer palestras e debates com jogadores profissionais, donos de times, narradores, empresários, comentaristas, personalidades e muito mais. O principal objetivo é esclarecer questões que vão desde como se tornar um gamer profissional até como viabilizar comercialmente um evento.

Entre as atrações já confirmadas, os destaques ficam para: Gabriel Fallen, nomeado em 2015 como o jogador mais influente do eSport brasileiro; o bate-papo com Leonardo e Guilherme da Team One, sobre como é ser dono de um time de eSports; a palestra com Yuri “Fly” da Gamers Club, sobre como é o processo e principais etapas para se tornar um jogador profissional; a participação de Bruno Clash, um dos mais influentes jogadores de Clash Royale que contará a sua experiência mundial com o game; e Marcio Soares, Diretor Geral do Campeonato de Rainbow Six.

“Preparamos um conteúdo imperdível para os fãs de eSports que participarem desta edição da Campus Party”, comenta Moacyr Alves, curador do espaço e parte da Talent Experts. Para participar da Academia Gamer, é preciso adquirir o ingresso no site da Campus Party Brasil. Confira as categorias no site do evento.

A Academia Gamer terá ainda um segundo espaço chamado “Arena Gamer”, localizado na Open Campus, área gratuita do evento. Este espaço será voltado para a realização de campeonatos de jogos eletrônicos. A programação contará com torneios de Tekken 7, Counter Strike, Mortal Kombat, Rainbow Six, Gwent (jogo de cartas do game e universo The Witcher) e muitos outros, além de um concurso de narração de jogos de eSport e uma mesa redonda com jogadores.

 

Serviço – Academia e Arena Gamer

Data e horário Academia Gamer: de 31 de janeiro a 03 de fevereiro, das 10h30 às 23h, na Arena da Campus Party Brasil.

Data e horário Arena Gamer: 31 de janeiro a 03 de fevereiro, das 10h às 20h, na Open Campus, área gratuita da Campus Party Brasil.

Onde: Pavilhão de Exposições do Anhembi – São Paulo (Av. Olavo Fontoura, 1209 – Parque Anhembi).

Grandes Estúdios Brasileiros de Games #03: Cat Nigiri

Em 2017 um estúdio de Florianópolis, SC, conquistou bastante projeção nacional após o sucesso de dois jogos (Keen e Necrosphere). A Cat Nigiri recebeu nomeações importantes em eventos de grande porte como a SBGames São Paulo, SBGames Porto Alegre e o BIG Festival.

O mérito foi criar jogos divertidos, porém diferenciados em suas estéticas e objetivos. Formado em 2012, a Cat Nigiri tem por objetivo unir mecânicas simples com gameplay inovadores, e deu certo! Hoje vamos ver um pouco da visão desses talentosos desenvolvedores que já são reconhecidos como um dos principais do Brasil.

 

Qual o significado do nome Cat Nigiri?

Temos duas versões.

A primeira é sobre um nome aleatório que soasse “indie o suficiente” para um grupo de amigos que precisavam de um nome para o estúdio.

A outra –– que contamos para investidores –– é sobre um gato que é ágil, esperto, pequeno e muito fofo, assim como o nosso time. Além disso, o nigiri é uma comida simples (fatia de peixe, bolinho de arroz e raiz forte) que requer muita habilidade para fazer.

Só escolher a versão que você prefere.

 

O que levou vocês a essa vida de videogames?

Paixão, persistência e muito entusiasmo. Um pouco de inocência, também.

 

É difícil desenvolver games fora do eixo Rio-São Paulo?

Não. É bem tranquilo. Está cheio de cariocas e paulistas por aqui em Floripa, de qualquer forma.

 

Se vocês tivessem dinheiro infinito para contratar qualquer produtor de games do mundo, quem seria? Por quê?

Nenhum destes famosos. Gostamos de fazer os jogos do nosso jeito.

 

Afinal de contas, a quantas anda o mercado de jogos no Brasil? É uma época boa para investir no mercado/carreira? Ou é melhor vender açaí mesmo?

Ocorreram algumas coisas muito interessantes neste último ano:

Incentivos governamentais como Ancine e Finep que dão credibilidade para a nossa indústria de desenvolvimento de jogos.

Baixa dos juros que vai fazer muita gente tirar o dinheiro dos bancos e realmente investir em algo produtivo.

Leis específicas para promover o investimento-anjo em pequenas empresas.

Mudanças nas leis que facilitam a contratação de profissionais.

Montar uma barraca para vender açaí pode ser um bom investimento, também. Parecer ser uma hora boa para empreender.

 

Muitos dos seus jogos seguem um estilo de arte mais cartoon, já tentaram fazer algo puxado para o realismo?

Ainda não. Realismo é bem mais custoso. O nosso foco é sempre o gameplay.

 

Tanto o Keen quanto o Necrosphere receberam nomeações para o BIG Festival e outros eventos. Vocês ficaram surpresos com o sucesso de crítica e público?

Ficamos surpresos e agradecidos. Infelizmente, troféu não compra pão. Tivemos aclamação tanto aqui como lá fora, porém as vendas de Necrosphere para PC ainda não chegaram onde esperávamos.

 

O Necrosphere é bem difícil (mesmo). Qual foi a maior inspiração para o projeto?

O ódio dentro do coração do Caio, junto com Metroid, VVVVVV e um pouco de Twin Peaks.

 

O que é mais importante para um game: gráficos ou jogabilidade?

Somos desenvolvedores de jogos, portanto o mais importante é jogabilidade. Se fossemos desenvolvedores de gráficos, talvez fosse o contrário.

 

Qual o jogo mais surpreendente que vocês já jogaram?

O último que o time comentou bastante foi Super Mario Odissey e Doki Doki Literature Club.

 

É muito difícil manter um estúdio de games aberto por tantos anos no Brasil?

Fase mais longa e difícil que já tivemos em nossas vidas.

 

Vocês possuem carreiras paralelas ou já é possível sobreviver apenas com os games?

Já tivemos diversos day jobs para pagar as contas do estúdio, hoje, felizmente, com investidores interessados, podemos sobreviver 1 ano de desenvolvimento. Para os próximos anos, precisamos emplacar um jogo lucrativo.

Quanto tempo leva o processo de criação de um game, mesmo que este possua mecânicas simples?

Depende do jogo. Game jams normalmente levam 2 dias. Necrosphere para PC foi feito em 10 meses. Keen 3 anos.

 

Muita gente acredita que os jogos japoneses não possuem a mesma força de outrora. Vocês jogam títulos orientais? Alguma coisa que ninguém conhece e merece destaque?

Mentiras. Só ver Legend of Zelda Breath of the Wild e Super Mario Odissey.

 

Qual o segredo para o produtor iniciante conquistar um espaço em meio aos milhares de games que surgem todos os dias na Google Play?

Esta é uma pergunta que adoraríamos ter a resposta. Nossa palpite é fazer jogos realmente engajantes e com qualidade.

 

Qual a formação necessária para conquistar aquele emprego dos sonhos em um estúdio de renome no Brasil?

Nenhuma em específico. O principal é ter lançado jogos.

 

Alguma dica para quem não consegue terminar o Necrosphere?

Tente novamente!

 

 

Agradecimentos o Nando Guimarães, CEO da Cat Nigiri, que atendeu prontamente nossa equipe!

Grandes Estúdios Brasileiros de Games #02: Behold Studios

Certamente você já ouviu falar sobre a Behold Studios! Afinal é deles os aclamados jogos Knights of Pen & Paper e o divertidíssimo Chroma Squad. A fama destes jogos posicionou o estúdio como um dos principais desenvolvedores do Brasil. Sempre que eles anunciam uma novidade ou participam de algum evento, a comunidade já fica atenta.

Foi bem natural que escolhêssemos a Behold para nossa segunda entrevista para a série de “estúdios brasileiros de games”. Aqui você vai conhecer um pouco mais sobre o estúdio, como ele surgiu e quais os diferenciais da equipe. Quem responde é o Saulo Camarotti (co-fundador e produtor) da Behold. Confira:

 

Como surgiu a Behold Studios e de onde veio a ideia de desenvolver games?

A Behold surgiu de uma necessidade e de uma oportunidade. Eu e meu sócio na época, nos formando em Ciência da Computação, ganhamos dois prêmios de renome nacional em jogos que desenvolvemos juntos, e percebemos que poderíamos empreender nesta ideia já que em Brasília não tínhamos nenhuma possibilidade de sermos contratados em uma empresa de games. Abrimos a nossa, e aqui estamos oito anos depois.

 

Quantas pessoas trabalham no estúdio atualmente? Onde ele está localizado?

Hoje temos 10 no time, e ficamos dentro do coworking Indie Warehouse dedicado à games, aqui em Brasília. O legal de quem quiser nos visitar é poder encontrar uma dezena de outros desenvolvedores também!

 

Behold é um nome incomum. De onde veio o nome do estúdio?

Behold veio do nosso passado com RPG, da criatura mítica Beholder. Mas o nome nos cativou pois em inglês significa Vislumbre, o que é legal para uma empresa que cria jogos que também são consumidos pela experiência visual.

Quantos games vocês produziram até agora? Quais são eles?

Já temos 17 no nosso arsenal. Mas somos principalmente conhecidos por:

– The Gravedigger (2010)
– Save My Telly (2012)
– Knights of Pen & Paper (2012)
– The Story of Choices (2013)
– Chroma Squad (2015)
– Galaxy of Pen & Paper (2017)

 

Knights of Pen & Paper é bastante reconhecido. De onde veio a inspiração para o projeto?

Veio da nossa vontade de fazer um RPG true! Queríamos fazer um RPG dos RPGs, aquele que se remetesse aos primórdios. E quando discutíamos como iríamos fazer esse RPG super simples, lembramos que o RPG de verdade veio dos jogos com dados, papel e miniaturas. Jogamos muito RPG de mesa na nossa vida e foi fácil perceber que ia ser muito legal fazer um jogo sobre isso. Foi muito natural e tudo fluiu muito bem durante o projeto.

 

Desde a criação do estúdio qual foi a maior dificuldade encontrada?

Já passamos por muitos bocados. Mas acredito que o mais difícil foi encontrar a nossa voz. No início apenas reproduzíamos aquilo que parecia ser o melhor para o mercado. Basicamente o que todo mundo estava fazendo. Com o Knights of Pen & Paper foi onde conseguirmos brilhar pela autenticidade. Fizemos porque queríamos jogar um jogo assim diferente e nostálgico.

Hoje já levamos isso mais sério. Temos que ser mais autênticos e acreditar que se a gente está apaixonado pela ideia, outras pessoas também vão se encantar. Então fazemos nossos jogos pensando muito em como gostaríamos que o jogo fosse e como ele nos agradaria.

 

A maioria dos seus jogos abusa da pixel art. Por que escolheram esta expressão?

O pixel é uma decisão estética para se buscar um senso nostálgico e incompleto. Ele dá a possibilidade para o jogador preencher os espaços vazios e imaginar algo muito além do que estamos mostrando. Isso para RPG é ótimo, pois queremos que o jogador também crie conosco e imagine a aventura do seu próprio jeito.

 

Vocês têm tempo para jogar os games de outras empresas?

Claro! Hehehe (só que não). A nossa maturidade da empresa acompanhou também nossa maturidade adulta, aumentando muito as responsabilidades com outras coisas. Mas não por isso deixamos de jogar. Esse é um assunto constante na empresa “O que está jogando?”, “Porque o jogo X é bom…”, “O que tem de inovador no jogo Y…”, etc.

Mas pessoalmente, minha biblioteca recente de jogos jogados são quase todos indies. Nos dão experiências curtas e muito divertidas. Coisa que não vejo nos games a muitos anos.

 

Como as famílias dos desenvolvedores reagiram ao saber que iam começar a trabalhar com jogos?

Cada família tem uma história para contar. Já vi de tudo. Eu mesmo, filho de uma família onde todos são da área da saúde e trabalham como funcionários públicos. E eu, do contra, fui fazer Computação e trabalhar com jogos. No começo foi difícil eles entenderem. Principalmente pela incerteza de empreender em uma coisa tão incomum. Mas com os prêmios, o reconhecimento, os jogos lançados, eles foram se acostumando com a ideia. Hoje minha família me dá forças para continuar.

 

Qual foi a pior crítica que vocês receberam de seus projetos? Como reagiram com ela?

Isso é de fato uma coisa chata. Cada passo que você dá para conquistar os seus sonhos, é muitas vezes, um passo que você toma para incomodar mais gente. E a medida que a sua marca como empresa fortalece, as pessoas ficam com menos receio de criticar o jogo, o bug, ou qualquer outra coisa da sua empresa. E muitos se esquecem que tem uma meia dúzia de pessoas ali por trás daquilo, dando sangue e suor para terminar as coisas no prazo.

Mas ao mesmo tempo, toda vez que respondemos as críticas, as pessoas imediatamente se transformam, e falam de igual pra igual. E assim já ganhamos muitos amigos nesta jornada, mostrando nossa cara a tapa, e mostrando que fazemos tudo com muito amor.

Qual a diferença dos jogos brasileiros comparados àqueles desenvolvidos por outros países?

Esta diferença está cada vez menor. É claro que ainda não podemos nos comparar às produções AAA, pois ainda no Brasil não tivemos projetos de tal porte, seja por orçamento, tamanho de equipe ou mesmo experiência da equipe. Mas com o acesso às tecnologias e ferramentas, acesso às plataformas onde podemos vender nossos jogos, o Brasil já produz de igual para igual no mercado indie, casual ou no mercado de jogos menores. Hoje tem mercado para todo mundo, e mais um motivo para o Brasil estar dando certo.

Geralmente os jogos produzidos no Brasil vão custar de R$ 50 mil a R$ 1.5 milhão para serem produzidos, e vão ser feitos por equipes de 2 a 20 pessoas. Isso são valores comuns tanto no Brasil quanto lá fora. Mas ainda não chegamos ao patamar de projetos de R$ 5 milhões a R$ 25 milhões, com equipes de 50 a 200 pessoas.

 

Atualmente a comunidade parece em guerra com desenvolvedoras grandes por causa de microtransações. Como vocês avaliam as microtransações?

Nós já nos aventuramos por elas quando ainda pouco se falava, lá por meados de 2011 e 2012. Entretanto hoje acreditamos que podemos trilhar nosso caminho fazendo apenas jogos premium.

Mesmo assim, entendemos que existe o jeito certo, ético, de se fazer microtransação, como é o caso de jogos como LoL e TF2. Esperamos que essas grandes empresas aprendam com aqueles que acertaram.

Porque muitos desenvolvedores acabam migrando para a Europa ou América do Norte?

É onde o mercado mais contrata. Nestes países existem empresas gigantescas, com centenas de pessoas trabalhando em um ou alguns poucos jogos, e por lá surgem oportunidades. No Brasil ainda é muito comum que se empreenda no próprio negócio, e muitos devs preferem trabalhar em grandes produções do que experimentar com jogos menores.

 

Como vocês acham que serão os games do futuro?

Algo muito interessante está acontecendo com VR, AR e MR. Sabemos que ainda não é expressivo a quantidade de devices instalados, mas em 5 a 10 anos vamos ver uma mudança dramática no jeito de jogar, já que as tecnologias chegaram a patamares extraordinários e todas as grandes empresas estão investindo pesado nisso.

Ao mesmo tempo, a cada dia se vê uma fragmentação maior do mercado. Ou seja, com o passar dos anos o que a gente vê é que mais tipos diferentes de jogos dão certo, mais tipos diferentes de plataformas dão certo, e mais tipos de jogadores estão surgindo. É como se o futuro tivesse espaço para todo mundo, e fosse menos concentrado em 1 ou 2 grandes soluções.

 

Algum recado para quem sonha desenvolver games no Brasil?

Comece a fazer jogos agora!

Qualquer um que queira desenvolver jogos deve e pode começar hoje no computador da sua casa. As tecnologias estão aí (Game Maker, Construct2, Unity), funcionam em computadores normais que temos em nossas casas, e os tutoriais estão aí (Youtube). Empresas só vão contratar aqueles que já fizeram alguns protótipos ou jogos em casa. Ou seja, faça jogo todo dia, no final de semana, à noite. Sai do Dotinha e faz um jogo com seus amigos.

Necrosphere é o jogo da Cat Nigiri para quem busca desafio e não tem medo de perder vidas

Está aí procurando um jogo desafiador e cheio de personalidade? Sua busca termina aqui! Nosso destaque do dia é o jogo Necrosphere, da produtora indie brasileira Cat Nigiri. Aqui temos uma aventura ao estilo metroidvania cuja dificuldade é bastante elevada e vai fazer o jogador perder muitas vidas. O título esteve presente em diversos eventos de games e conquistou bastante espaço e atenção dos jogadores Brasil afora.

O protagonista de Necrosphere é o jovem Terry Cooper, um agente secreto que acaba indo para o mundo pós-vida e deseja voltar desesperadamente para o mundo dos vivos. Para isso, ele deve passar por centenas de obstáculos e armadilhas mortais. Necresphere é basicamente o lugar para onde vão as almas dos que morreram, tantos os bons como os maus.

Neste plano astral não há outras pessoas, ou seja, cada indivíduo é condenado a passar por seu próprio inferno. Não há nada a se fazer aqui, apenas esperar por toda a eternidade. Contudo existe uma maneira de sair deste ambiente inóspito, mas para tanto é necessário passar por diferentes obstáculos e alcançar uma portal capaz de te levar de volta à normalsphere, o mundo dos vivos.

A jogabilidade é bem simplista: apenas dois botões de ação. Apesar da alta dificuldade do game (lembra bastante o Super Meat Boy), Necrosphere tem uma curva de aprendizado rápida, de modo que os jogadores irão dominar os desafios facilmente. Já até rolam desafios speed run entre a comunidade de jogadores. Se você curte um desafio, este jogo é bastante indicado. De acordo com os produtores, o game tem cerca de 2,5 horas de gameplay.

Necrosphere já está disponível para PCs através da Steam. Há planos de levar o jogo para outras plataformas no futuro. Ah, se você ainda tem dúvidas quanto a qualidade do título, saiba que ele é nada menos que o grande vencedor da SBGames Curitiba 2017 nas categorias Júri Popular e Melhor Jogo.

Abaixo tem o trailer de Necrosphere:

Google abre inscrições para a primeira edição do Indie Games Festival na América Latina

Mais uma oportunidade para você, desenvolvedor indie, para mostrar seu produto a um grande público e quem sabe o apoio de grandes empresas de games. A Google acaba de anunciar durante o Playtime 2017 a criação do Indie Games Festival, um evento que visa dar visibilidade para jogos independentes da América Latina. As inscrições para participar já estão abertas e, de acordo com a Google, o festival premiará os melhores jogos independentes da região com prêmios que irão ajudá-lo a ter seu trabalho notado por especialistas da indústria e jogadores de todo o mundo.

As inscrições são exclusivas para produtores indies dos seguintes países: Brasil, México, Argentina, Uruguai, Paraguai, Colômbia, Chile, Peru, Costa Rica, Bolívia, Venezuela, Equador e Guatemala. Importante dizer que a produtora precisa ter até 15 funcionários e ter o jogo lançado na Google Play após 1º de janeiro de 2016. As inscrições podem ser feitas até 20 de dezembro.

Os 15 finalistas do Indie Games Festival apresentarão seus jogos na capital paulista, em 22 de Fevereiro de 2018. Na ocasião, os finalistas terão a oportunidade de apresentar seu trabalho para um júri integrado por especialistas da indústria, dos quais 3 vencedores serão selecionados. Os grandes vencedores ganharam destaque nas lojas online da Google, além de uma TV Android.

 

Premiação para os finalistas e vencedores:

Finalistas

Cada um dos 15 selecionados receberá:

  • Inclusão do jogo no Indie Corner nas lojas Google Play das Américas, Europa e Oriente Médio por um mês;
  • Promoção do jogo nos canais Android Developer / Google Play Developer;
  • Oportunidade de apresentar o seu jogo no LatAm Indie Games Festival 2018;
  • 1 Chromecast;

 

Vencedores

Além da lista acima, cada um dos 3 escolhidos irá receber:

  • 1 TV Android;
  • Destaque Premium para o game dentro do Indie Corner nas lojas do Google Play das Américas, Europa e Oriente Médio por um mês.
  • Destaque Premium para o game na Android Developer / Google Play Developer channels.

 

Aos que NÃO preenchem as condições para participar do festival: Caso você não atenda aos critérios para se candidatar aos prêmios, ainda é possível se inscrever para participar da apresentação dos cases em São Paulo, em 22 de Fevereiro de 2018, conferir algumas das novidades em indie games e se divertir com diversos especialistas da indústria e desenvolvedores de indie. Mais detalhes no site oficial do Indie Games Festival.

Conheça o indie brasileiro Memories of Kami, o primeiro game da Yokai Collective Studio

Hoje vamos falar de um game indie brasileiro bastante promissor: Memories of Kami. Desenvolvido pela Yokai Collective Studio, o jogo é uma aventura de plataforma 2D com elementos de RPG. Aqui os jogadores embarcam no mundo mágico de Kami, habitado por Origamis, onde deve assumir o papel de nove guardiões que devem impedir as forças malignas de uma terrível contaminação que pretende devastar e destruir os seres vivos.

A grande sacada do jogo é sua mecânica baseada na troca de personagens a fim de tomar proveito de suas respectivas habilidades únicas. Estes personagens são caracterizados por nove animais sagrados – os guardiões da glória. Um dos aspectos que mais chamaram as atenções de quem conheceu Memories of Kami durante seu début na BGS 2017 foi o estilo visual, que lembra o consagrado Ori and the Blind Forest, mas a verdade é que o título tem inspirações mais antigas como Donkey Kong Country do Snes.

A trama: Kami é um mundo mágico habitado por criaturinhas de papel chamadas Origami. Esse mundo de luz e bençãos, onde todas as coisas boas do universo fluem abundantemente é, de tempos em tempos, atacado pela energia negativa de outros mundos. Os ataques de energia escura são chamados pelos habitantes de Kami de Incidentes. Quando a magia negra adentra Kami, ocorrem várias manifestações como doenças, acidentes, e qualquer tipo de desordem ou desgraça. Mas os Incidentes, geralmente não são nada demais, pois logo que surgem são combatidos e derrotados pelos nove famosos Sagrados Guardiões da Glória de Kami.

Os Guardiões da Glória são poderosos animais escolhidos pelo Destino e têm como dever eliminar toda e qualquer energia ruim que surge no belo paraíso de Kami. Não é preciso de todos os noves Guardiões para acabar com os Incidentes comuns. Mas a cada mil anos, um Incidente poderoso invade Kami, e esse sim, representa uma ameaça que necessita do poder de todos os Guardiões, juntos, para ser eliminado. Este Incidente grave é chamado de A Contaminação dos Mil Anos. E dessa vez, a Vigésima Sétima Contaminação dos Mil Anos veio muito mais feroz e irresistível, determinada a destruir de uma vez por todas o fantástico mundo dos nossos Guardiões.

Sua missão é guiar estes guardiões em uma busca pelos resquícios de energia que podem restabelecer Kami. Para tanto você adquire habilidades e poderes que lhe conferem novas transformações. Tal como num jogo de RPG, o jogo gratifica o jogador de acordo com seu estilo de jogo, graças a árvore de habilidades, ou seja, se você for do tipo defensivo, vai se tornar um grande defensor ao final da jornada.

Memories of Kami tem previsão de lançamento para 2018, sendo que uma demo deve ser lançada oficialmente em algum momento de maio do mesmo ano. Por enquanto o jogo é apenas para PC, mas os desenvolvedores esperam conseguir portar o título para Xbox One e Playstation 4. Mais informações no site oficial.

Abaixo você confere o trailer de Memories of Kami: