rob_humble_645

Designer de games acha que games precisam ser feitos com responsabilidade

O site Gamasutra publicou um extenso artigo com Rod Humble, CEO da Linden Labs (do Second Life), participante da série Sims e criador de um game indie chamado The Marriage.

Durante uma convenção, Humble mostrou-se preocupado com a responsabilidade que os games possuem em alterar o comportamento de seus jogadores. É leitura obrigatória, mesmo que esteja em inglês, uma vez que aborda pontos polêmicos dos jogos.

Resumidamente, o designer diz ter ficado preocupado com o feedback sobre seu game The Marriage, que aborda o cenário do casamento, ao ver comentários de alguns jogadores que pensavam em tomar decisões na vida pessoal baseadas no game.

Para ele, os jogos já atingiram status de arte e, como tal, tem impacto e deve receber críticas por isso. Humble condenou a atitude de estúdios e designers que gostam de se afirmar como arte, mas quando convém se defendem de responsabilidade dizendo “mas é só um game”.

“Podemos ser ambos ao mesmo tempo, e levar responsabilidade por isso”, argumentou acrescentando que a estrutura de um game tem significado e a mensagem é passada para o subconsciente dos jogadores.

“Joguei D&D, jogos de guerra e tiro minha vida inteira e não sou violento. Mas joguei títulos que mudaram completamente minha perspectiva, e como vivo minha vida”, comentou Humble.

A questão, quase filosófica de Humble, levanta uma importante questão ética e seguindo a arte, os jogos devem optar por emprestar elementos da “mais nobre arte”, a que “celebra a natureza e a natureza humana”.

O artigo completo é de leitura recomendadíssima. Você concorda com Humble? Por que?

Dica do Prof. Dr. Luís Carlos Petry, da PUC-SP.

4 opiniões sobre “Designer de games acha que games precisam ser feitos com responsabilidade”

  1. A entrevista é realmente intrigante, pois são questões que poucos designers pesam quando estão criando o projeto do jogo. Concordo com Humble, e acho que o modo como ele explicou pode gerar certa polêmica, pois nem todos pensam desta maneira.

  2. Interessante o Game Designer abordar esse tema. Eu creio que sim, o game é uma arte mas que não influencia no seu comportamento habitual. Ou você sai correndo com uma faca na mão quando está com pressa? rs

    abraços

    1. Eu discordo. Games, como qualquer outra forma de arte (e eu concordo com Humble que jogos digitais são arte), são capazes influenciam sim no comportamento habitual de uma pessoa, e não apenas em escala pequena. Há games que me ensinaram valores como companheirismo, honra, e dedicação a algo maior. Isso não é pouca coisa.

      Quanto a andar com facas por aí… bem, eu não faria isso porque também aprendi, por outros meios, que violência não é certo. E também qualquer pessoa suficientemente madura consegue discernir o que é real do que é fictício e sabe plenamente que a "facada" e a "morte" não passam de pontuação num jogo; é tão maléfico quanto um gol numa partida de futebol. Mas e se falta essa maturidade? E se a pessoa aprender que métodos violentos são melhores?

      Não sou contra a violência nos jogos, mas sou a favor da preocupação com o emprego dessa violência e com o público que tem acesso ao jogo. Concordo integralmente com o Humble.

  3. Tem uma coisa ainda na Entrevista que trata da questão da arte nos games e do papel do artista 3D, muitas vezes considerado como mero funcionário por alguns. Ele coloca que a questão e o foco da discussão passou do "se um game é arte ou não" para se pensar e discutir as próprias criações e trabalhos dos artistas. Quando se fala de artista em games, não se trata aqui de um burocrata ou de uma cara que se acha gênio porque tem idéias (e pensa que manda os outros fazerem), mas de alguém que paga o preço de fazer algo realmente, que tem o compromisso do Design.

    Eu penso que, de certo modo, nós realizamos nos games, um caminho e processo semelhando ao que Jean Giraud (moebius: http://www.bpib.com/illustrat/giraud.htm e http://www.google.com.br/search?q=jean+giraud+moe… realizou na Metal Hurlant, dentro da banda desenhada, na década de 1970 (na França).

    Nós trabalhamos duro para que tenhamos designers que sejam artistas colaborativos e capazes de conversar com os demais membros de uma equipe e a entrevista de Rod Humble mostra que muitos lá fora pensam assim.

Deixe seu comentário