Apesar das dificuldades, indie games brasileiros não páram de crescer

Viviane Werneck, especial para o GameReporter

Trabalhar com desenvolvimento de games no Brasil é uma verdadeira batalha, que nem sempre tem um final feliz. Muitas micro e pequenas empresas quebram sem antes mesmo colherem um pouco dos louros da vitória, neste caso, ter o seu jogo conhecido (isso se ele chegar a ficar pronto).

Se existem tantas barreiras (estruturais, financeiras, qualificação profissional) para se desenvolver jogos no país, por que continuar? E por que tantos corajosos insistem nessa área?

Diferente do que muitos podem pensar, existe sim um mercado consumidor interno – que está se expandindo cada vez mais – para uma demanda crescente de jogos no Brasil. Grandes empresas estão investindo muito em novas mídias para divulgação de seus produtos, por exemplo. Esta é uma área perfeita para o desenvolvimento de advergames, ou seja, games com foco publicitário. Além desses, os games corporativos também são uma ótima opção para arrecadar um dinheirinho a mais.

Mas não pense que o Brasil está fadado a fazer jogos publicitários e empresariais, não desmerecendo o trabalho de ninguém, por favor. Algumas empresas, formadas por verdadeiros corajosos, vão mais além e investem mesmo na ideia de jogos voltados somente para o entretenimento.

Dentro deste contexto, pode-se citar como exemplo a empresa carioca Aiyra, que nasceu em 2006, e se dedica à produção de jogos computacionais de conteúdo educativo e não-violento. A Aiyra nasceu dentro da Empresa Júnior de Ciências da Computação da Universidade Federal Fluminense (InfoMarka), no Rio de Janeiro.

“Quem quer começar a fazer games aqui no Brasil, deve ter em mente que o mais importante não é a qualidade gráfica do jogo, mas sim o game design. Isso por dois motivos: primeiro porque não temos condições técnicas e financeiras ainda para investir em Engines usadas em títulos AAA e, segundo, porque de nada adianta um game graficamente perfeito se ele for massante e chato. Por isso, as pessoas devem focar no game design para fazer um jogo divertido e com forte apelo comercial”, explica Adrian Laubisch, fundador e responsável pela parte de novos negócios da Aiyra.

Games da empresa: No portfólio da Aiyra estão jogos como o “Escape the Drain”, que venceu o Global Game Jam 2009, no Rio de Janeiro. Escape the Drain é um jogo de ação e humor em que dois insetos precisam fugir de um encanamento antes que ele inunde. O jogo foi desenvolvido utilizando o framework XNA Game Studio, da Microsoft. Disponível para PC, o título está sendo portado para XBox 360. Quem quiser testá-lo é só acessar este site.

Ainda em 2009, a Aiyra participou do XNA Challenge, concurso de desenvolvimento de games promovido pela Microsoft que, na última edição, foi realizado em São Paulo. A equipe da empresa ficou com a quarta colocação com o jogo “Globe”, um game de estratégia de gerenciamento de recursos, onde o objetivo é resolver os problemas mundiais como fome, educação, saúde, etc. Segundo Adrian Laubisch, o jogo, atualmente, está passando por melhorias técnicas e de porting para rodar em Xbox 360.

A Aiyra tamém tem outros títulos como o “Plantares”, um puzzle baseado no jogo de tabuleiro “Senha”, e o Star Triad, space shooter de sobrevivência criado para celular. No entanto, o carro chefe da empresa é mesmo o jogo “Guardião”, do qual tive a oportunidade de testar e me diverti bastante.

No Guardião, desenvolvido para PC e Xbox 360, o jogador irá percorrer cenários cotidianos sob uma perspectiva diferente, em que até mesmo uma cafeteria se torna um obstáculo. Em um futuro onde todos os humanos desapareceram misteriosamente, todas as estruturas mecânicas ficam abandonadas e sem manutenção; as centrais elétricas páram. Sem outra fonte de energia para se manter funcionando, brinquedos de todos os tamanhos disputam a última fonte de energia disponível: pilhas.

Neste game, o jogador irá desafiar um brinquedo muito maior que o seu personagem pela posse da pilha, e ainda terá que tomar cuidado para não perdê-la para seus adversários na volta até a sua base. O jogo funciona como um “Capture the Flag”, onde a bandeirinha é uma pilha.

O Guardião, que pode ser jogado em single player ou multiplayer local para até 4 jogadores, foi desenvolvido utilizando a plataforma XNA, com auxílio da Engine “Torque X 2D”, sobre a qual foi integrada pela equipe uma outra Engine, específica para Física, a “Farseer Physics”, que torna possível a interação mais avançada pretendida com esse jogo.

Um pouco do gameplay pode ser conferido abaixo:

Gostar de jogar é diferente de gostar de fazer jogos

Adrian explica que aquele que pretende levar o desenvolvimento de games como uma coisa séria no Brasil, precisa ter em mente que o mais importante é fazer um jogo divertido. “O game não precisar ser algo cinematográfico, que custe 1 milhão de dólares, baste que ele seja focado em dois pontos: boa jogabilidade e fator replay, ou seja, a vontade de continuar jogando o game. É basicamente isso que vende um jogo”, conclui.

4 opiniões sobre “Apesar das dificuldades, indie games brasileiros não páram de crescer”

  1. Ótimo texto!
    O mercado de desenvolvimento independente no Brasil realmente está crescendo. E merece. Muita gente talentosa por aí. Eu cheguei a escrever alguma coisa sobre isso na revista Indie Gamer ( http://is.gd/fdlE5 ). Desculpe o jabá, mas é que eu realmente me interesso pelo assunto de jogos indie. =)

  2. Ótima materia mesmo!
    Muita gente ainda acha tem'preconceito' por achar que não tem mercado de games aqui no Brasil.
    Eu não sei se falta divulgação desse parte ou falta de interesse da outra.
    Um ponto que acho interessante é a questão de produção de grande games, se procurarmos procurar bem mesmo acharemos grande artistas, eu penso assim aqui ainda não se produz grande games pricipalmente pela falta de investimento mesmo , mas com questão visual ja é possivel sim so que a maioria desse brasileiros ja estão ganhando a vida la fora. mas não está longe do Brasil Produzir um 'epic' game.

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